As apreciações axiomáticas serão sempre subjectivas. Dependerão das condicionantes temporais, dos relatos fruto da observação e da paixão de quem assistiu aquelas partidas.
Mas aquela equipa de 1965/66, treinada por Jean Luciano, terá juntado todos os elementos para se tornar inesquecível.
Possuía um guarda-redes de bom valor, seguro e experiente, como Mário Roldão.
Na defesa, contava com um jovem tão talentoso como promissor na lateral direita, como Gualter. A centrais, uma das melhores duplas da história e que se tornaram ambos internacionais portugueses:Joaquim Jorge e Manuel Pinto. Na esquerda, um dos jogadores mais utilizados e polivalentes da história vitoriana, como Daniel Barreto.
Para a frente, depois da polivalência e raça de Artur, a genialidade de Peres. Capitão de equipa, mas, também, o seu cérebro, capaz de pincelar as jogadas com toques absolutamente mágicos. Como médio ofensivo, outro virtuoso, descoberto no Brasil, um número 10, um maestro que poderia estar numa Orquestra Sinfónica, José Morais. Um meio campo mágico, com criatividade a rodos e suportado no espírito combativo do vimaranense do trio.
Na frente de ataque, dois dos maiores avançados de 103 anos de história. Djalma, o brasileiro rebelde, que marcou 19 golos nesse ano, antes de ser vendido ao FC Porto, e que parecia jogar melhor quando vinha de grandes noitadas e Mendes, o inesquecível Pé Canhão, autor nessa temporada de 21 do 114 tento que apontou nas 9 temporadas no Vitória. A completar o ramalhete, o esquerdino Castro, que fora o autor do primeiro golo na Casa do Rei, e que aliava a regularidade à felicidade de actuar na equipa do seu coração.
A perfeição chegou ao ponto de triunfar perante o eterno rival por seis bolas a duas e em Braga por cinco tentos a três, ou por três a dois ao Benfica e ao Sporting, sabendo a pouco o quarto lugar final a um ponto do FC Porto, terceiro posicionado... mas, mesmo assim, mantemos a nossa opinião: estará, provavelmente, entre as cinco melhore equipas da história mais do que centenária do emblema que leva o Rei ao peito...
