A GRANDE OPORTUNIDADE DO VITÓRIA...

Confessamos que até, há poucas horas, pensamos que as declarações de ontem de António Miguel Cardoso relativamente a Pedro Proença, presidente da Federação, fossem mais um desabafo relativamente ao folclore que se tem vivido no futebol português, com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol a assobiar para o ar e a "aparar o pião" aos de sempre...

Assumimos mesmo que as palavras do presidente do Vitória estivessem a ser conducentes com um estado de menoridade e de subalternidade que o próprio Cardoso reconhecia ao colocar-se num patamar inferior a esses quatro emblemas.

Porém, a verdade é que o presidente do Vitória sabia mais do que nós, provavelmente...

Sabia que o presidente da Federação preparava-se para marcar um encontro com quatro clubes do futebol português... não por sorteio, não em regime de rotatividade, mas esses mesmos 4, que julgam que podem submeter a sua vontade e os seus interesses aos demais.

Na verdade, tratar-se-á de mais uma manifestação do proencismo do futebol português. O homem que, sendo árbitro, conseguiu dominar todo o desporto-rei, simplesmente, por, desde cedo, ter sabido entretecer uma teia que nela contém todos os interesses instalados. Sim, Proença chegou a presidente da Liga e da Federação por ser o pior que o futebol tem, tratando os maiores como filhos e os outros como enteados. Ora, estes, com medo de serem (ainda) mais prejudicados, por arrasto, seguiam a onda... e aceitavam que o futebol português fosse quase decidido numa mesa de sueca com o antigo árbitro orgulhosamente a mirar os seus súbditos.

Mais do que isso, que legitimidade terá Proença para desgostar um dos seus quatro amigos? Em que papel estará numa bancada de um dos outros 14 clubes quando um desses quatro estará em campo? Ou, para ele, mais valerá mandar a verdade desportiva às malvas e indicar que tudo deve ser feito para os mesmos de sempre decidirem incólumes os jogos em que não existem confrontos directos?

Quanto a Miguel Cardoso, depois de ter aberto a Caixa de Pandora, tem de aproveitar a oportunidade. Para não se assemelhar a um D. Quixote, burlescamente, a combater moinhos de vento, tem de arregimentar mais clubes para a sua luta. Liderar um movimento alternativo no futebol português, demonstrativo que os demais emblemas têm de ser respeitados e tratados por igual. Alertar e denunciar para as futuras dissonâncias de comportamento que possam existir nos agentes do futebol. Apresentar modelos alternativos. Mas, acima de tudo, ter uma liderança forte capaz de fazer perceber que o Vitória encabeça um movimento que está do lado certo da história.... o movimento que quer vencer com mérito, que quer premiar quem realmente é melhor e que não vive de favoritismo e de quem fala mais alto sai beneficiado!

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