I - Ponto prévio: quem tem objectivos, quem quer chegar o mais longe possível no campeonato nacional, não pode ter apagões como aquele que ocorreu na segunda parte com o Vitória. na casa do Estoril.
Um apagão, cujas fotografias serão a melhor ilustração de uma noite absolutamente infeliz para os Conquistadores, principalmente nos segundos 45 minutos.
II - Com efeito, durante os primeiros 45 minutos ninguém esperava tamanha derrocada na segunda. A actuar com a base que tem dado boa conta de si nos últimos jogos, apenas saindo o castigado Beni, o Vitória entrou bem no jogo. Confiante, a querer mandar na partida, com olhos postos na baliza contrária. Quando assim é, a atitude terá de ser aplaudida...
III - Por isso, o golo de Samu seria o corolário lógico dessa boa entrada. Já antes N'Doye e Camara poderiam ter sido felizes, mas o mais difícil estava feito. Porém, esta noite, o Vitória tem tendências sádicas e na jogada seguinte já sofria o empate.
Poder-se-á elogiar a capacidade da equipa da casa em reagir, mas não poderemos deixar de lamentar a incapacidade vitoriana em conseguir manter-se concentrada.
IV - Mas, não seria esse o momento decisivo do desafio. Quase logo de seguida, na cobrança de um pontapé livre, Mitrovic teria um lampejo de genialidade, marcando um golo de uma beleza estética inatacável. O momento mais bonito do jogo para o Vitória e a esperança que essa fosse uma machadada que deixasse as esperanças da equipa da casa definitivamente abaladas...
V - E assim se chegou ao intervalo, com o optimismo da vantagem a pontuar os espíritos. Porém, a partir daí seria um somatório de erros, mesmo antes da defesa desabar completamente. Na verdade, o que seria do jogo se Samu tivesse conseguido fazer o terceiro golo, permitindo que Robles fizesse uma grande defesa? Ou se Mitrovic, em vez de tentar dominar a bola, tivesse-lhe aplicado um bico na esperança que esta só parasse nas malhas de Robles? Mas, infelizmente, tal não sucedeu assim!
VI - Falhou o ataque e haveria de falhar a defesa de modo inapelável. Na verdade, o último reduto Conquistador cedeu de modo inesperado, inapropriado e indesejado. Abascal não foi o líder que tem sido. João Mendes foi incapaz de parar Guitane. Mitrovic, apesar dos bons pés, não tem a capacidade de recuperação de Beni e Gonçalo Nogueira, limitado por um cartão amarelo, não podia ter a capacidade pressionaste que tanto o caracteriza.
VII - Até que se chegaria aos minutos que haveriam de decidir a partida. Com a defesa permissiva quer da ala esquerda bem como no coração da mesma, o Estoril haveria de empatar a contenda, num lance que faltou alguém a incomodar o avançado da equipa da casa. Logo de seguida, Luís Pinto tiraria o irreverente e desequilibrado Noah Saviolo e Gonçalo Nogueira para colocar Gustavo Silva, ainda longe da melhor forma, e Diogo Sousa, que apesar dos bons pés não tem a força, o pulmão e a capacidade pressionaste de Nogueira.
VIII - Com a equipa aturdida, recuada e receosa chegaria o terceiro golo da equipa estorilista, num lance em que, novamente, a defesa vitoriana foi demasiado permissiva, com o guarda-redes Castillo incluído. Chegados aqui, teremos de perguntar: terá sido corrrecto, depois da Taça da Liga, ter encostado Charles? Não seremos nós a responder a essa questão.
Mas, se atrás falhou-se em demasia, N'Doye haveria de perder de forma incrível, quase escandalosa, o golo do empate. Absolutamente inacreditável com se falhou o empate nesse momento!
IX - E, como quem não marca sofre, em mais um apagão defensivo chegaria o quarto golo do Estoril. A machadada final na partida. A certeza de uma segunda parte completamente falhada. O Vitória perdia e, acima de tudo, ficava a certeza que há muito que reflectir. A época não ficou ganha com a Taça da Liga e a qualificação europeia é necessária para um clube que precisa dela como de ar para respirar.
X - Segue-se, agora, o Moreirense no derby concelhio, em que, contrariamente ao que é habitual, a equipa da vila chegará à frente do Vitória na tabela classificativa. Mas, atendendo ao objectivo europeu que, matematicamente, ainda é possível, não poderão ser permitidos mais deslizes. Nem apagões, da dimensão do que assolou Portugal a 28 de Abril do ano passado...
XI - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...
