COMO FRANKLIM, UMA VERDADEIRA REFERÊNCIA DOS ANOS 40 E 50, SE INQUIETAVA POR NÃO PODER CHEGAR AO GOLO... QUASE ASSUMINDO SER DE ENGATE!

Franklim Oliveira terá sido das grandes estrelas vitorianas a partir da temporada de 1945/46.

Proveniente do Belenenses na época de 1945/46, seria na de 1948/49 que atingiria o seu auge ao ser o máximo goleador nos Conquistadores, ao apontar 18 golos e ser merecedor do prémio de melhor marcador do Norte do país.

Assim, no apogeu desses momentos marcantes, tornou-se figura mediática. A despertar a curiosidade no país futebolístico como um jogador de uma "equipa da província", como na altura se dizia, era capaz de ser tão determinante e melhor do que muitos que actuavam nos principais clubes.

Porém, nem tudo era fácil para a grande estrela vitoriana, como haveria de confessar em entrevista ao jornal A Bola de 20 de Janeiro de 1949, numa altura em que contava com 12 golos apontados em 17 desafios,

Assim, como o próprio assumia, qualquer partida era capaz de o deixar com os nervos em franja, pois, entrava "Sempre nervoso. Penso no jogo e, ao entrar em campo, vou, regra geral, apreensivo." Tal devia-se à posição que actuava em campo, uma vez que "O meu lugar de extremo não permite estar sempre em jogo, ir à procura da bola. Os extremos dependem dos outros, jogam o que os companheiros querem que ele jogue!"

Este facto fazia com que ficasse dependente dos primeiros minutos de cada partida, atendendo a que "Se me passam uma bola em boas condições e me saio bem, então temos «homem» para o resto do jogo. Desaparece o nervosismo e jogo com entusiasmo. Se a jogada inicial me sai mal, perco a confiança e, raras vezes, reajo. E assim há onze anos, e nada posso fazer para contrariar esta disposição."

Porém, a verdade é que, apesar de assumir esta predisposição para ser um jogador de "engate", a verdade é que seria determinante na maior parte das partidas da equipa Conquistadora, ao ponta de merecer uma ode poética na publicação Sempre Fixe de 10 de Fevereiro de 1940:

"Quem é que o não conhece?!

Se ele já foi de Belém e dos Pupilos também...

Mas, agora, até parece que tem «asas» de condor!

Tem fumaças de glória?!

E certo que é do Vitória da terra do Fundador desta grei de lusitanos; e pelo que oiço dizer conta ficar alguns anos por Guimarães! Até ver...

Este rapaz tem carradas de «talento» p'ra subir a um lugar bem mais alto!!!

E, «amparados ao Vaiadas, quem sabe se há-de vir a dar grandissimo salto?!

Para tal só é preciso ter pés, cabeça. e juízo!!!"

Não daria, acabando a carreira no Vitória no final da temporada de 1952/53, para continuar a viver em Guimarães até ao final dos seus dias, sendo sempre reconhecido como um dos melhores jogadores que vestiu a camisola do clube do Rei...ainda que dependesse sempre dos primeiros momentos de cada partida!

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