COMO OSVALDINHO, NA FESTA DE FINAL DA CARREIRA TEVE UM GESTO QUE SÓ O ENGRANDECEU... PROVAVELMENTE, UMA DAS JOGADAS MAIS BELAS DA SUA NÃO MENOS BELA CARREIRA!

Osvaldinho foi uma das figuras de maior destaque do Vitória nas décadas de 60 e 70 do século passado.

Alentejano dos sete costados, nado e criado em Beja, haveria de chegar ao Vitória no início da temporada de 1963/64 para ficar associado a doze temporadas de Rei ao peito, ainda que entrecortadas pelo serviço militar que o obrigou a estar cedido, primeiro, a título de empréstimo ao Boavista e, depois, ao Benfica de São Tomé e Príncipe.

Haveria de regressar ao Vitória na temporada de 1969/70 para abandonar o clube no final do exercício de 1978/79, após 254 partidas. Seria já depois do final da sua carreira que, após o abandono do Vitória compreendeu passagens pelo Marítimo e Gil Vicente, que teria direito à sua festa de homenagem pela importância que tivera nos Conquistadores.

Assim, como noticiava o Povo de Guimarães de 17 de Novembro de 1982, "O Vitória vai promover finalmente a festa de homenagem a Osvaldinho." Para isso suceder, dizia-se que "a actual Direcção já deu o seu aval para a efectivação da anunciada homenagem.", que haveria de explicar no mesmo jornal datado de 26 de Janeiro de 1983 que "...já estava prometida pela Direcção do Vitória aquando da assinatura do meu último contrato." Com efeito, ao concordar com valores menos vantajosos do que julgava merecer "... a Direcção do Vitória, na altura liderada por um dos grandes presidentes que passou por esta colectividade, o Snr. António Manuel Rodrigues Guimarães deliberou (e lavrou em acta) organizar uma festa em compensação pela assinatura do dito contrato."

Tal decisão desencadearia a tomada de duas nobres decisões por parte do jogador. Deste modo, convidou para a Comissão Organizadora do evento "... o elenco directivo de 1963, ano em que ingressou no clube vitoriano." Contudo, mais do que isso, o antigo lateral esquerdo decidiu abdicar "... de todos os resultados financeiros a favor da Cercigui." Justificaria tão nobre gesto porque "... um dia, passei ali em frente do Centro onde estão instaladas essas crianças e fiquei meditando o que elas são, naquilo que poderíamos ser, tais como elas, precisando do carinho de todos. Vi crianças a quererem fazer algo, a quererem dizer o que sentes, a quererem dizer porque nasceram assim. Crianças a quem a sociedade deve dar muito... "

Por isso decidiu que "não sei quanto vou buscar com a minha festa, mas muito ou pouco, o que ela der, será para essa instituição", numa altura em que "...aqueles que (...) estão à frente dos seus destinos, desejam adquirir uma quintinha e todo o material necessário para a educação e reabilitação das crianças aos seus cuidados."

O número seguinte do jornal confirmaria a nobreza do acto do antigo jogador, catalogando a festa de um verdadeiro êxito, tendo rendido uma receita no valor de 700 contos, totalmente doada à CERCIGUI. Quanto à festa, estava prevista uma partida entre as selecções femininas do Norte e do Sul que não se realizou, sendo substituída por uma contenda entre o Boavista e os Aliados, seguindo-se uma partida entre os veteranos do Vitória e do Benfica, notando-se a ausência de Eusébio que "...não pôde estar presente, em virtude, de um compromisso para um programa televisivo."

A festa haveria de continuar no Salão de Festas Magá com um lauto repasto e várias actuações musicais. Mas, para a eternidade, ficou o gesto de um homem que radicou-se até hoje em Guimarães, tornando-se vimaranense e vitoriano de coração...

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