ENTRE O RECONHECIMENTO E A MÁGOA...A CERTEZA QUE ANDRÉ ANDRÉ SERÁ INESQUECÍVEL!

André André será dos jogadores mais marcantes do Vitória.

Chegado a Guimarães em 2012/13, proveniente do Varzim, fez parte dos heróis da Conquista da Taça de Portugal, assumindo um papel relevante no meio-campo vitoriano até ao final da época 2014/15, altura em que foi vendido ao FC Porto.

Porém, atendendo à qualidade que evidenciava, aos golos que marcava e à simbiose que demonstrava com as bancadas ficou para sempre um sentimento de saudade... que potenciou o seu regresso em 2018/19, para sob o comando de Luís Castro, voltar a liderar o meio campo dos Conquistadores.

Porém, esta segunda passagem pelo Vitória foi bastante mais atribulada do que a primeira. Desde logo, por causa das lesões, que fez com que perdesse uma parte relevante dessa primeira temporada, bem como ainda maior na subsequente. Bastará dizer que entrou em campo a 09 de Março de 2019, no derby do Minho, e só o voltaria a fazer na temporada subsequente a 12 de Janeiro de 2020... dez meses de paragem que demonstravam que o relógio suíço de outrora enfermava de problemas até então desconhecidos.

Estabilizaria, contudo, no rendimento e nos golos. André André em campo era um garante de qualidade, de "savoir-faire", de capacidade para ir mais além, de inspiração para os seus colegas até pelo seu carácter inquebrantável, a sua vontade inigualável de vencer.

Por isso, acabaria por, durante a temporada de 2020/21, ver o seu contrato renovado. Talvez por um tempo demasiado longo, mas a certeza que o Vitória queria-se construir a partir de uma das suas máximas referências.

Porém, seria a partir daí que uma relação de amor sofreria inesperados percalços. Desde logo, a meio da temporada seguinte, ao ser emprestado aos sauditas do Al-Itthiad, com este clube a ficar com uma opção de compra na ordem do milhão de euros. Um valor diminuto, atendendo aos que agora se praticam naquele canto do mundo, e que acabaria por não ser exercido, ainda que o jogador jogasse por catorze vezes na equipa.

Deste modo, regressava ao Vitória para assumir a liderança do meio-campo Conquistador. Um talento que iria fazer a diferença, que iria ao lado de nomes como Tiago Silva, André Silva, e outros, garantir que os meninos iriam brilhar... mas, do nada, chegaria uma constatação surpreendente. Na apresentação da equipa, realizada na Plataforma das Artes, não apareceu o jogador, bem como o ganês Joseph. Um claro sinal que não entrava nos planos vitorianos e que a época iria ser encetada sem ele.

Até que antes da eliminatória da Liga das Conferências frente ao Hajduk Split, asem que nada o fizesse prever, chegaria a notícia que o jogador, que não estava a treinar com a equipa principal, fora integrado nos trabalhos desta. A situação seria explicada pelo treinador Moreno, que entretanto rendera Pepa, afirmando que “Nós entramos e havia uma decisão tomada. depois disso houve uma conversa com o presidente e eu dei uma opinião. A par dessa conversa existiu uma conversa com o André André e era muito importante perceber o estado anímico do André André e o que recebi do André foi uma motivação grande, um querer grande de ser integrado”.

Não jogaria essa partida, mas entraria quase logo no imediato, na derrota que o Vitória haveria de sofrer em casa frente ao Casa Pia. Seria o início de uma nova história de simbiose infinita com as bancadas, com o jogador a actuar de Rei ao peito mais 49 vezes, durante duas temporadas.

Na memória para sempre ficará a sua despedida em Arouca, no final da última jornada da época 2023/24, em que os seus colegas o levantaram no ar como agradecimento de uma carreira que ele ainda sonhava prolongar de Rei ao peito. Não sucederia, e haveria de revelar a sua mágoa em entrevista ao Zerozero, já como jogador do Leixões, ao dizer que "A quatro jogos do fim, mandam-me uma mensagem a dizer que querem que acabe a carreira. Acho que isso demonstra a personalidade e o carácter ou, neste caso, a falta dele do presidente do Vitória SC. É essa a minha mágoa. Só com ele (presidente), porque o Vitória eu apoio sempre e não o escondo de ninguém. Agora a maneira como foi, acho que demonstra um bocado falta de respeito. "

Apesar disso, estará sempre na memória dos vitorianos que, tantas vezes, ficaram inebriados com o seu futebol a mistura raça com técnica, qualidade infindável com pulmão inesgotável... e esse será o melhor tribunal de sempre!

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