Às vezes, causa irritação...
Uma finta a mais, um adorno suplementar, a ilusão de um drible que sai mal...
Mas, será que gostávamos tanto de futebol se não existissem jogadores como Nuno Santos?
Aliás, são homens como ele que fizeram que este jogo se tornasse tão apaixonante.
Porque viver sem arriscar, não é viver!
E só arrisca, quem sente ter capacidades para tal...
Quem confia que pode dobrar qualquer cabo das Tormentas.
E, Nuno, que em Guimarães descobriu o seu porto seguro, depois de o sonho americano ter-se tornado em pesadelo, descobriu a paz e o amparo para ser ousado.
Para ser o artista dos quadros que poucos ousarão idealizar e muito menos pintar.
Ontem no Dragão, naquele passe absolutamente extraordinário para a corrida de Embaló, não foi nem mais nem menos daquilo que tem sido. Alguém que vê à frente e ousa colocar em prática esse lampejo único e irrepetível de criatividade ímpar.
E, aí, faz esquecer aqueles momentos em que por ser diferente dos demais e ousar querer distinguir-se da mediania nos faz soltar imprecações e impropérios...
E isso é ser artista!