I - Luís Pinto já deixou o Vitória há dois jogos. Gil Lameiras, uma grande esperança vitoriana para os bancos, assumiu a equipa. Mas sem faltar ao respeito a qualquer um dos dois técnicos, nem o melhor treinador do mundo seria capaz de fazer milagres. Porque nenhum génio dos bancos seria capaz de resistir à quantidade inacreditável erros de principiante que ditaram o destino do jogo e que são incompatíveis com o que se quer para e no Vitória.
II - Gil Lameiras deu o seu toque pessoal. Fez regressar Rivas ao eixo da defesa, fazendo sentar Abascal. Trocou os homens felgueirenses do meio campo, apostando em Gonçalo Nogueira em vez de Diogo Sousa. Por fim, trocou os extremos, lançando Camara na esquerda e Miguel Nogueira na direita. Era um Vitória diverso, com a nuance de Beni fazer de terceiro central em muitos momentos do jogo e os extremos em vez do frenesi da linha de fundo procuravam a diagonal e o desequilíbrio no eixo.
III - O Vitória num ritmo lento até pareceu conseguir controlar os intentos encarnados. Verdade, se diga, que o Benfica não apertou muito...vir-se-ia a perceber que não haveria de necessitar. Com efeito, logo no final do primeiro quarto de hora da partida surgiu o primeiro brinde da partida. Passe à queima de Beni para Samu que sem se aperceber quem tinha nas costas, deixou-se antecipar. Rios arrancou para assistir Prestiani que livre fuzilou Charles. Para além do erro inicial, os centrais vitorianos e Samu cometeram outro erro: çonfluiram todos para o portador da bola, para permitir o avançado da equipa da casa rematar sem qualquer oposição. Algo que se aprende nos escalões mais jovens e que os atletas vitorianos naquele momento olvidaram!
IV - Contudo, a equipa vitoriana nem haveria de acusar muito o toque. Pelo contrário. Controlou o jogo, ainda que a ritmo pausado e com o Benfica a permitir esse domínio. Porém, nesse período, a melhor oportunidade, quase flagrante, seria desperdiçada por Nélson Oliveira, que não foi capaz de desviar com êxito o esférico na cara de Trubin. Outro sinal do desnorte individual dos Conquistadores sob a forma de um avançado que não marca qualquer golo desde Dezembro...e de grande penalidade na Taça da Liga. Uma equipa com ambições não pode confiar a missão de marcar golos a um avançado no ocaso da carreira, já na última temporada divorciado das balizas.
V - E assim findou a primeira metade, para a segunda ser encetada como um raio de esperança. Miguel Nogueira em bela iniciativa quase empatava a partida, valendo os reflexos de Trubin. Era um Vitória mais agressivo, mais subido... mas sem poder prever que ira cometer haraquiri onde não podia falhar, no seu último reduto!
VI - Seria Beni, encarregue da primeira fase da construção ofensiva, a perder a bola quase na sua área. A partir daí, o ataque benfiquista desenrolou-se para o esférico acabar a repousar nas malhas de Charles. Num jogo em que os erros pagam-se caros, nunca poderia o Vitória regalar dois tentos daquele modo infantil, ingénuo, naif e que se pagam caros nos escalões profissionais.
VII - Era o carimbo num jogo, que haveria de acabar sob a forma de novo brinde com Beni a concluir uma exibição para esquecer com um autogolo. O Vitória perdia por três bolas a zero, a rematar mais, com mais posse de bola,...e com mais três erros penalizadores, inadmissíveis em alta competição e que se pagam muito caro. Também, por aí, estará o facto do Vitória ser a segunda pior equipa a jogar fora de portas, só conseguindo fazer mais pontos e mais mais golos do que o AVS... estará tudo dito!
VIII - Se muitas vezes falamos mal, também, temos falar bem quando é justo. A BTV é parcial, só vê um lado da história. Mas, o conhecimento dos jogadores do Vitória, em muito, suplantou o que é exibido nas transmissões da SportTV. Mais do que isso, o modo respeitoso com que se referiu ao Vitória, ao contrário da imprensa escrita que, nos último tempos, rebaptizou o clube vitoriano de "V. Guimarães" merece ser realçado. Mesmo assim, fica a pergunta em que país mais a própria televisão do clube difunde uma partida oficial que se pretende que a imparcialidade reine...
Mas verdade seja dita: destes já não se espera nada, enquanto que a outros, encapotados, fazem igual ou pior...
IX - O campeonato, agora, para por causa dos compromissos das selecções... Será uma boa oportunidade para Gil Lameiras trabalhar com calma e tempo, moldando a equipa à sua imagem. Para a maioria dos vitorianos, estes desafios funcionarão como uma pré-temporada alargada, atendendo à distância para os lugares que eram objectivo. Que sejam aproveitados para lançar quem realmente estará em 2026/27, ao invés, de se insistir naqueles que não farão parte do futuro do Vitória...
X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...
