Às vezes, é difícil tomar decisões...
Sobretudo quando existe o receio de que a mudança possa trazer problemas ainda maiores. Mas, no outro prato da balança haverá sempre o velho ditado popular que reza que "quem muda, Deus ajuda" e a sabedoria popular parece mesmo ser imbatível...e irrefutável.
Aquele Vitória de 2006/07 estava a viver o purgatório. Tendo caído na Liga 2 teimava em não arrepiar caminho, somando resultados preocupantes para quem tinha obrigatoriamente de regressar ao seu habitat natural: o principal escalão.
Deste modo, à entrada da penúltima jornada da primeira volta do campeonato, o Vitória vivia uma preocupante irregularidade, que fazia com que não estivesse nos postos de subida, ocupados por Feirense e Leixões, encontrando-se a quatro e cinco pontos destas posições.
Por isso, aquela partida frente ao Gondomar em casa, bem perto do Natal, era tida como determinante. O Vitória tinha de a vencer sob pena de deixar cavar mais o fosso para os mais desejados postos.
Contudo, correria tudo mal! A alinhar com Nilson; Vítor Moreno, Geromel, Franco, Momha; Pelé, Flávio Meireles, Desmarets; Brasília, Henrique e Ghilas, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 22 de Dezembro de 2006, "a equipa teve um rendimento muito abaixo dos níveis exigidos para merecer somar três pontos." Aliás, tal prestação seria um balde de água fria na paixão dos adeptos, pois, "durante a semana houve muita expectativa dos vitorianos em bater o record de espectadores no D. Afonso Henriques, de dentro das quatro linhas receberam mais uma desilusão."
Desilusão, essa, consubstanciada pelo golo de Tarantini, que fez com que "2006 não deixa saudades aos vitorianos. O Vitória despediu-se com uma derrota diante dos seus adeptos, num ano catastrófico na história do clube."
Porém, para o técnico vitoriano, Luís Norton de Matos, ainda havia esperança. Tanta que na conferência de imprensa após o jogo, projectava a próxima partida, ao dizer que "...agora temos um mês para preparar o jogo de Olhão e temos que fechar a primeira volta com uma vitória para limitar os estragos de uma classificação que eu considero má."
Tal não aconteceria. No dia a seguir pela noite reunir-se-ia com o presidente Vítor Magalhães, acordando os dois na rescisão amigável do contrato do treinador. Por isso, "o sítio oficial do Vitória na internet, dava conta formalmente do rompimento do compromisso, elogiando a postura de maior colaboração do treinador, e explicando que Norton de Matos abandona assim o Vitória com a mesma dignidade com que entrou."
Os Conquistadores iam procurar substituto...e, ainda, não sabiam o quão felizes haveriam de ser com esta mudança!
