Naquele ano de 1995/96, o Vitória tinha esperanças legítimas em cumprir um grande exercício. Com efeito, as contratações de nomes como Vitória Paneira, Neno, Capucho, Edinho, entre outros, pareciam indicar que os Conquistadores tinham tudo para realizar um inesquecível campeonato.
Porém, apesar do início ter sido prometedor com a equipa a só conhecer a derrota à quinta jornada, em casa do Marítimo, a verdade é que a partir daí não mais se encontrou, apresentando uma preocupante irregularidade aliada a exibições de fraca qualidade.
Assim, como tantas vezes tem sucedido na história do futebol, as culpas começaram a recair sobre o treinador Vítor Oliveira, contratado para substituir Quinito. Diga-se, desde já, que foi uma aposta ousada, atendendo às diferenças entre os treinadores. Na verdade, se Quinito era um apaixonado pelo futebol sedutor e espectacular, Oliveira era o verdadeiro resultadista, calculista, cujo futebol nunca foi capaz de cair no goto da exigência vitoriana.
Assim, chegou-se aquele dia, 17 de Dezembro de 1995, em que o Vitória, após ter somado um êxito nos últimos cinco desafios, ainda que fosse na partida anterior frente ao Chaves, chegava a Leça pressionado. Tanto pelas ilusões criadas no início da temporada, mas, acima de tudo, em dar uma sapatada na crise que se pressentia.
Porém, naquele dia tudo correu mal. Com a equipa a alinhar com Neno; José Carlos, Arley, Tanta, Quim Berto; Soeiro, N'Dinga, Vítor Paneira; Zahovic, Gilmar e Capucho, os Conquistadores foram incapazes de realizar uma boa exibição e mais do que isso vencerem. O golo solitário de Constantino, no início da segunda parte, selou, nos dizeres do Notícias de Guimarães de 21 de Dezembro de 1995, "uma humilhante derrota, desmotivadora e uma exibição difícil de digerir."
Tanto assim era, que o jornal consultado confessava que "para os adeptos do Vitória começa a ser difícil digerir estas situações." Na verdade, "no início da temporada tinham-lhes prometido uma temporada sensacional e afinal ela começa a ser enervante e desesperante." Um desespero tão grande que levaria a que Oliveira fosse confrontado de forma feroz por alguns, acabando mesmo por levar uma sapatada de um elemento afecto a um grupo.
Independentemente disso, a decisão estava tomada. Pimenta iria despedir Vítor Oliveira, entregar a equipa interinamente a Manuel Machado e procurar um novo treinador... haveria de ser, numa escolha a todos os títulos surpreendente, Jaime Pacheco. Mas isso, já será outra história...
