A QUEDA DE ARMANDO EVANGELISTA, UM CICLO QUE NUNCA CHEGOU A COMEÇAR...

Aquela temporada de 2015/16 significava um novo ciclo.

Com efeito, depois de Rui Vitória ter sido o treinador do Vitória durante três temporadas e meia, os Conquistadores, com a partida deste para o Benfica, iam ter de mudar de treinador.

Para a sua sucessão, a aposta de Júlio Mendes recaiu em Armando Evangelista, o homem que treinava a equipa B há duas épocas e meia e que tinha ali a sua grande oportunidade de carreira... ainda que o Vitória tivesse perdido algumas das suas figuras de proa como Bernard Mensah ou André André.

Previa-se assim uma tarefa difícil que teria os primeiros sinais de agrura quando o Vitória, nos dois primeiros jogos oficiais desse ano, foi eliminado nas pré-eliminatórias da Liga Europa pelo Altach um desconhecido emblema austríaco sem apelo nem agravo. Mais do que a eliminação, causou preocupação a goleada sofrida por quatro bolas a uma em pleno D. Afonso Henriques, numa exibição desconexa, sem chama, nem sequer orgulho.

Por isso, todas as sirenes de alarme tocaram e Evangelista começou o campeonato já com a cabeça no cepo, ainda para mais com a primeira jornada a disputar-se em pleno estádio do Dragão, frente ao FC Porto. O Vitória perderia por três bolas a zero, e apesar do treinador ver indícios positivos na exibição da equipa, a verdade é que pouco mais do que cócegas fizera ao adversário.

As jornadas seguintes trariam a confirmação que algo não ia bem nos Conquistadores. Com efeito, os empates em casa frente ao Belenenses e na Madeira frente ao União, aliados a exibições cinzentas, sem chama nem inspiração, levaram a que os adeptos se mobilizassem. Assim, da consulta de vários sites, percebemos que, naquele dia 02 de Setembro de 2015, "dezenas de adeptos do Vitória de Guimarães compareceram esta tarde no local de treino da formação minhota para manifestar a sua insatisfação em torno do trabalho desenvolvido por Armando Evangelista neste arranque de temporada."

Ainda que o treino decorresse à porta fechada, foi levado a cabo debaixo de cânticos "O Vitória é Nosso", o que levou a que Júlio Mendes no final do mesmo fosse falar com os contestatários, "apelando à confiança no projeto do V. Guimarães para esta temporada."

No fim de semana seguinte surgiria alguma paz, com o Vitória a vencer o Tondela por uma bola a zero graças a um autogolo logo no início da partida. A verdade é que, apesar do triunfo, ninguém ficara tranquilo com aquilo que vira, com a equipa a apresentar-se insegura, trémula e sem qualquer capacidade de rasgo ou de improviso.

Por isso, o jogo seguinte em Setúbal, perante o homónimo sadino, era olhado com expectativas redobradas. E, diga-se, que começou bem com o Vitória a beneficiar de uma grande penalidade no primeiro minuto, que reduziu o adversário a dez homens e que possibilitou a Henrique Dourado abrir o activo.

O pior viria depois... mesmo em superioridade numérica, a equipa de Armando Evangelista protagonizou uma exibição plena de fragilidades, permitindo que o adversário desse a volta ao marcador. Absolutamente inacreditável, ainda que, como escreveu o Zerozero "aos 73 minutos os nortenhos voltaram a igualar, num lance em que beneficiaram de um golo na própria baliza de Rúben Semedo."

Salvava-se um ponto, mas não o lugar do treinador, aposta que houvera sido poucos meses antes. Assim, nos dias seguintes, no sítio oficial do clube surgia uma nota em que se dava conta que a equipa iria ter um novo técnico. As razões prendiam-se "Por ter entendido que não estavam reunidas as condições necessárias para se manter no comando técnico, o treinador Armando Evangelista solicitou a rescisão do contrato. Por entender as justificações apresentadas, e admitindo que nesta altura esta é a decisão que melhor defende os interesses do Clube, a Administração da SAD vitoriana aceitou a sua solicitação."

Depois da estabilidade que tinha encontrado com Rui Vitória ao leme, o Vitória no espaço de poucos meses iria ter de encontrar o segundo novo treinador. Como escrevia a página da RTP, "há três nomes falados para a sucessão: Sérgio Conceição, Paulo Bento e Domingos Paciência." Seria o mais improvável de todos, até pelo que houvera sucedido na época anterior quando treinava o eterno rival minhoto, o escolhido... mas isso será outra história!

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