Já aqui fomos contando os episódios que marcaram a passagem do primeiro Bola de Prata da história vitoriana: o brasileiro Edmur.
Na verdade, o temível goleador, que espalhou o terror nas balizas contrárias durante três temporadas de Rei ao peito, até fruto das difíceis condições financeiras vitorianas, tinha de partir.
E, por essa razão, já depois de o avançado ter assinado contrato com o Celta de Vigo a polémica surgiria. De modo inesperado, através de uma carta aberta dirigida ao jogador e tornada público no jornal Notícias de Guimarães de 17 de Setembro de 1961, assinada pelo Cronista que se autodenominava Um de Nós.
Nesta, lamentava-se que a festa de homenagem ao jogador pelo que tinha dado ao Vitória tivesse decorrido de forma fechada, escrevendo mesmo que "...um grupo dos teus amigos pessoais, ostensivamente, te fecharam a sete chaves e quiseram, assim, limitar a duas dezenas de presenças, aquilo que devia ter o ambiente eufórico de um número elevado."
Por isso, surgia o lamento: "não era assim, não, que esperávamos que te fosses embora de Guimarães. O aplauso e a saudade deviam ser manifestados mais amplamente, uma vez que muitos mais também desejavam provar-te a sua admiração ou o seu reconhecimento pelas horas gloriosas de prazer que lhes proporcionaste", para se acabar a saudar e a desejar felicidades "em nome daqueles muitos que te gostariam de te abraçar no último instante de agradável convívio que desejavam gozar em comum contigo."
Esta missiva haveria de cair como uma bomba. Tanto que no número seguinte do periódico, Júlio Martins Silva, um dos organizadores da homenagem, viu-se na obrigação de responder, ainda que o jornal não apresentasse a carta. Limitava-se a responder às suas alegações, dando a perceber os argumentos que aquele apresentara e que passavam por ter-se tratado de um acto de "carácter privado ou íntimo", só se tornando público por ter sido noticiado num jornal.
Mas iria mais além. Lamentaria "o seu descontentamento quanto à orientação da Página de Desporto do nosso jornal que, como é do conhecimento geral, se guia pelas directrizes dum apoio à acção directiva dum Clube."
E, assim partia Edmur, com os vitorianos a discutirem... se deveria ter direito a uma despedida pública ou se aquele encontro e amigos era o que lhe convinha...
