A estreia tinha ocorrido naquele primeiro jogo do ano de 1983...
Frente ao Portimonense, no Algarve, Paulo Ricardo, o ponta de lança que o Vitória contratara no Brasil ao Novo Hamburgo, entrara ao intervalo para o lugar de Barrinha, com a equipa a perder por duas bolas a zero. Ainda haveria de contribuir para o reduzir de distâncias, ajudando ao golo de Fonseca, ainda que insuficiente para evitar a derrota.
Seguia-se a partida contra o campeão nacional, Sporting, referente à última jornada da primeira volta daquele campeonato de 1982/83. Com os Conquistadores no sétimo posto da tabela a pretenderem aproximar-se dos lugares europeus e os Leões no segundo a quatro pontos do líder Benfica, a partida daquela tarde era quase um "mata-mata" dentro de uma prova por pontos... quem perdesse, na verdade, poderia ficar com os objectivos pretendidos muito longe!
No Vitória, a novidade... aquele ponta de lança que se estreara em Portimão ia ser titular. Era ele a esperança de golos, esperando-se que o desconhecimento das suas capacidades beneficiasse a equipa. Não sabia, ainda o treinador Manuel José, que nele apostara, o quanto...
Contemos, agora, um pormenor relevante para a história e que era usado amiúde naquela temporada pelo Vitória. Assim, tendo no central Amândio um temível cabeceador (nesse ano, haveria de apontar cinco golos), o Vitória direcionava os seus pontapés de canto, cobrados por Bernardino Pedroto, para o primeiro poste onde o longilíneo central deveria atacar a bola... era uma jogada estudada, que já havia dado frutos e que se esperava que servisse para abater o adversário.
Porém, se o Vitória apostava nessa sua força, o Sporting também tinha conhecimento dela e o jogador era impiedosamente marcado, aumentando-lhe as dificuldades de ter êxito. Só que como diz o povo "se a manta tapa a cabeça, descobre os pés", e por isso alguém tinha de estar mais solto. Era o avançado brasileiro que, pela primeira vez, calcava a relva do, então, Municipal... que se apresentava aos vitorianos com ânsia de comprovar que a aposta no seu talento fora acertada.
Assim, colocando-se, de modo sorrateiro, ao segundo poste, estava completamente livre... à espera da argúcia de Pedroto em colocar-lhe a bola. Este não se faria rogado, e em dois pontapés de canto serviu-o magistralmente. Paulo Ricardo não desdenharia a ocasião, abrindo o activo e apontando o momentâneo três a um para o Vitória, já depois do mesmo Pedroto, também, ter "molhado a sopa" na baliza do húngaro Mészáros. Joaquim Rocha, ainda, haveria de apontar quarto golo dos Conquistadores, numa tarde de glória para o avançado em estreia... mas, acima de tudo, de esperança para todos os vitorianos que era possível, treze anos depois, regressar a uma prova europeia... assim seria, felizmente!
