COMO NO DISCURSO DE CRISE, A APOSTA EM ANDRÉ SILVA FOI DE MILHÕES...

Foi a pedrada no charco naquele início de temporada de 2022/23...

Com efeito, era sabido que a situação económica do Vitória era difícil. Também, era sabido que, por isso, alguns dos jogadores mais caros tinham abandonado o clube, levando mesmo a que Pepa se desalinhasse, lamentando-se que iria ter de treinar uma equipa B com um pouco mais de experiência.

Por isso, o cenário era de "aperto de cinto até ao último buraco". Uma necessidade óbvia de poupar ao máximo, o que sugeria que se apostasse na juventude existente, promovendo alguns elementos da equipa B, e se recorresse a jogadores emprestados, como Mickey Johnston, adquiridos a custo zero como Anderson Silva ou Mikel Villanueva ou apostas rentabilizáveis para o futuro como Jota Silva.

Por essa razão, quando a 15 de Julho de 2022 saiu aquela notícia de transferência, os vitorianos franziram o sobrolho. Como era possível que a mesma ocorresse, quando o jogador, poucos dias antes, fora dado como certo no eterno rival minhoto?

Contudo, a confirmação chegaria rapidamente. André Silva, avançado brasileiro que chegara a Portugal pela porta do Rio Ave mas que se afirmara de modo altissonante na Serra da Freita, com a camisola do Arouca, iria ser jogador do Vitória.

Um verdadeiro contra-senso atendendo às propaladas dificuldades financeiras propagandeadas aos quatro ventos, mas que ainda assim não impediam que o Vitória pagasse de imediato um milhão de euros por 25% dos seus direitos económicos, devendo pagar outro tanto mal o jogador disputasse um minuto a título oficial na liga portuguesa, numa transferência que poderia chegar aos 4 milhões de euros por 80% do seu passe.

A estreia no campeonato, que significava a compra de 25% dos direitos do jogador, seria auspiciosa, aomarcar o golo do triunfo em Chaves, e logo de seguida o do êxito frente ao Estoril, parecendo indicar que iria valer todo o sacrifício depositado na sua aquisição. Depois disso, durante a época, 15% foram adquiridos, quando "...o jogador cumpra um mínimo de 17 partidas na Liga com presença em campo não inferior a 45 minutos em todas elas.", a 29 de Março desse ano, até se chegar ao montante final dos 80% citados.

Acabaria essa temporada com seis golos marcados, pouco para em quem tantas esperanças haviam sido depositadas, mas justificáveis por alguns problemas físicos que o foram apoquentando.

Na seguinte, pese embora a instabilidade que fez com que conhecesse três treinadores na primeira fase da época (Moreno, Paulo Turra e Álvaro Pacheco) explodiu. Com Jota ao seu lado, ganhou asas. Rápido e letal marcou golos, desencadeando a cobiça de vários emblemas na sua contratação.

Acabaria, por isso, por abandonar o Vitória já depois do final de mercado de transferências de Janeiro. Rumaria ao São Paulo, regressando ao Brasil a troco de 3,2 milhões de euros, e, por isso, como confessado em Assembleia-Geral, gerando uma menos-valia financeira.

Ficaram os golos apontados e a certeza que, numa situação diferente, poderia ter sido muito mais aproveitado...

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