UM ANO DE SEGUNDO MANDATO - BALANÇO COM MAIS PREOCUPAÇÕES QUE ILUSÕES...

" - Vou trabalhar até final da época para ficarmos no quinto lugar, estou convencido que vamos conseguir. Se não o alcançarmos, eu saio, não estou agarrado, só quero respirar e quero que estes miúdos que hoje estão a chorar, percebam que a cidade os apoia. Se correr mal, eu sou o primeiro a ir embora."

Foi há, precisamente, um ano que António Miguel Cardoso venceu as eleições para levar a cabo um segundo mandato como presidente do Vitória. Tendo vencido o acto eleitoral, frente a Luís Cirilo, por uma vantagem que o legitimava para o futuro era de esperar que os Conquistadores vivessem um período de estabilidade. O que, infelizmente, a nosso ver não tem acontecido... também por culpa de quem deveria ser o primeiro a pugnar para que tal sucedesse.

Porém, não se pense que terão sido só problemas durante este ano. Para sempre ficará a conquista da Taça da Liga, em Leiria, naquele que foi o terceiro troféu nacional vencido pelo Vitória. Mas, de coisas boas, talvez, possamos juntar a subida da equipa B à Liga 3 e a consequente boa carreira neste escalão e pouco mais...

Pouco mais poderemos acrescentar de bom, sendo uns momentos por culpa própria do presidente e outros em que se exigia mais e que terá faltado um bocadinho assim, como dizia o célebre slogan publicitário.

Neste último item, teremos de englobar a eliminação nos oitavos de final da Liga Europa perante o Betis e a derrocada nos últimos dois jogos do campeonato e que custaram mais um apuramento europeu. Alguma infelicidade, alguma falta de perícia, a certeza que os milhões facturados em Janeiro com as vendas de Alberto, Manu e Kaio César pesaram no desempenho desportivo, ainda que as contratações de jogadores como Heverton, Umaro Embaló ou Vando Félix pouco ou nada ajudaram a reverter este cenário.

E se falhou-se em seguir em frente na prova europeia, no campeonato seria igual. O falhanço no campeonato nacional de novo apuramento europeu, que seria o quarto consecutivo, era inesperado, mas pior do que isso foi o que sucedeu a partir do defeso, com a chamada operação limpeza. Uma operação que começou com a surpreendente partida do treinador Luís Freire, que, apesar de ter falhado o apuramento uefeiro, ainda tinha a confiança da maioria dos sócios. Ainda para mais, para escolher um treinador inexperiente, que já fora um amor passado aquando da venda de Rui Borges ao Sporting, Luís Pinto.

Pior do que isso, a demonstração clara da intenção de reformular a equipa. O defeso foi passado com notícias de partidas, uns a custo zero e outros por valores diminutos, algo que continuou a acontecer até 31 de Agosto. Assim, nomes como Handel, Tiago Silva, Bruno Varela, Filipe Relvas, Borevkovic, João Mendes, Mikel ou Bruno Gaspar deixaram o clube e, também, uma pesada responsabilidade a um grupo de jovens que perdeu a maioria das referências para poderem crescer e sentirem-se seguros.

Seria já depois destes partirem e ter prometido que demitir-se-ia se o Vitória não terminasse o campeonato em quinto, que teria outra frase marcante deste ano. Uma frase proferida no dia de aniversário do Vitória e que, ainda, hoje, é lembrada: "Precisávamos de um balneário mais jovem e menos vaidoso. Hoje temos jogadores com orgulho em vestir esta camisola e com grande vontade de respeitar o clube. Esta mudança era necessária e acreditamos que o futuro será positivo." Num dia de festa, em vez de unir, fragmentou. Em vez de lembrar todos os que serviram o Vitória em 103 anos de história, apontou o dedo. E causou a indignação daqueles que meses antes eram tidos como partes essenciais de um projecto.

Para piorar o cenário, apesar de alguns jovens como Gonçalo Nogueira, Noah Saviolo ou Diogo Sousa darem provas de um crescimento acelerado, a verdade é que sempre se sentiu a falta de referências. O Vitória, até à data, nunca esteve em lugares europeus, caminha atrás de todos os parceiros do Minho num cinzento nono lugar e nota-se a falta de alguns pesos pesados. Mais do que isso, percebe-se que a época está feita e que as eleições, às quais já assumiu que irá recandidatar-se, serão o passo próximo, fruto de uma promessa precipitada, que ninguém lhe exigiu e que terão ajudado a colocar mais pressão num exercício destinado a não correr bem.

Mas, não se pense que tudo correu mal. António Miguel Cardoso ficará como o presidente que levantou um troféu nacional. Como acertou na escolha de Gil Lameiras. Mas, simultaneamente como o homem, passado um ano deste segundo mandato, não ter conseguido desatar o nó que atou com a VSports e que não esclareceu quando e como será desatado. Será o homem que se ufanou de ter apresentado um resultado líquido positivo, mas esqueceu-se de dizer que o conseguiu com receitas extraordinárias...como será este ano sem terem existido vendas em Janeiro?

Por isso, também por culpa própria, foi um ano de borrasca que não se pensava que chegasse à amplitude que chegou... mas, ao contrário do tempo que nos fustiga sem podermos evitar, o presidente vitoriano poderia ter sido o garante da estabilidade, mesmo sendo uma época de transição... pelo contrário, amplificou a intempérie!

Postagem Anterior Próxima Postagem