As digressões ao estrangeiro, numa altura em que as competições europeias eram um privilégio de apenas algumas equipas, revestiam-se de capital importância para os clubes. Fosse pelo cachet que ajudava a compor orçamentos e a pagar contas, fosse pelo prestígio que permitia a esses emblemas granjear em terras distantes, eram vistas como algo de único, que deveria perdurar na eternidade.
Com o Vitória, tal não foi excepção, quando, pela primeira vez, os Conquistadores rumaram a outro continente, mais especificamente ao africano. Estávamos no Verão de 1959, e surgira a oportunidade, através do convite apresentado pelo Futebol Clube de Luanda. Tendo-o aceite e, por isso, adiado uma já aventada viagem ao Brasil, o Vitória iria divulgar o seu nome, mas também o de Guimarães, nas províncias ultramarinas.
Atendendo à importância do momento, havia que o preparar bem. Dotar a equipa de chegar a paragens distantes e comprovar a sua valia... ao contrário do que sucederia nos dias de hoje, em que estes jogos seriam quase interpretados como partidas amigáveis.
Fruto disso, antes do grande momento que haveria de ser encetado com a viagem intercontinental, urgia preparar a equipa como fosse disputar o campeonato mundial... uma ocasião única.
Porém, essa preparação causou preocupação em todos os adeptos... por causa de um jogo! Era o período preparatório da grande aventura e para isso o Vitória resolveu realizar um desafio particular contra o Leixões, que acabaria por perder por três bolas a duas. Saltaram, de imediato, a terreiro os profetas da desgraça, aventando que a viagem iria trazer derrotas atrás de derrotas. Como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 28 de Junho de 1959, "os adeptos locais, porém, não ficaram satisfeitos com a exibição da sua equipa, pois esta, principalmente na 1ª parte, não se encontrou, mostrando má conjugação na defesa e deficiente ligação no ataque."
Várias sirenes de alarme dispararam, esquecendo, contudo, um pormenor... médico, que terá influído para tal infeliz exibição. Na verdade, "temos a impressão de que a equipa (...) se ressentiu da reacção provocada pela vacina da febre amarela feita na véspera, formalidade obrigatória para a viagem a África."
Por isso, vários adeptos vitorianos que "... menos comedidos, tomando atitudes de exaltação e soltando vaias, em depreciação da equipa" estavam claramente a precipitar-se. O Vitória haveria de fazer uma digressão plena de glória, honrando o seu nome e de uma cidade da qual será sempre parte indissociável... mas isso, já será outra história!
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