A temporada de 1959/60 muito prometera para acabar sob a forma de desilusão. Na verdade, a digressão a África no início da época massacrara fisicamente a equipa, levando-a a soçobrar na segunda volta do campeonato.
Assim, o ano de 1960/61 foi conducente a mudanças que começaram no treinador. Saiu o uruguaio Humberto Buchelli, entrando para o seu lugar o português Artur Quaresma.
Era, pois, um Vitória com renovadas aspirações que se apresentava na primeira jornada da prova, em casa do Belenenses, uma das melhores equipas nacionais da altura, que findara a prova da temporada anterior numa meritória terceira posição. Além disso, como escreveu o Notícias de Guimarães de 25 de Setembro de 1960, "O Belenenses havia tido um início de época de estrondo", chegando a ganhar por cinco a zero ao Benfica e, por isso, a vencer a Taça de Honra da AF Lisboa.
Era, por isso, um adversário muito melindroso para as aspirações dos Conquistadores, e "por isso, anunciou-se que o Vitória viria a ser cordeiro na boca de lobo faminto. Viria a ser devorado como se osso não tivesse..."
Porém, tais preocupações seriam manifestamente exageradas. Na verdade, o onze composto por Silva; Daniel, Freitas; João da Costa, Silveira, Virgílio; Azevedo, Edmur, Romeu, Ernesto e Celu, "foi a melhor equipa no terreno, tanto em conjunto como em mérito individual dos seus oponentes."
Deste modo, "o futebol desenvolvido no Restelo ficou-se a dever à equipa de Guimarães." Todavia, naquele dia 18 de Setembro de 1960, faltou-lhe sorte, bem como "... os árbitros, também, pois o deste encontro mostrou uma vez mais o seu culto pelos grandes, prejudicando a equipa vimaranense em muitos lances." Teria capital importância a anulação de um golo ao Vitória que abriria o activo, o que poderia motivar a equipa para um belo resultado. Assim, não sucederia e o Vitória acabaria por ser derrotado por duas bolas a uma, de pouco valendo o tento de Edmur.
Porém, como a publicação consultada admitida, "mas é assim. Tem de ser assim, não sabemos até quando. Há os protegidos do Futebol Nacional e as consequentes vítimas dele também. O culto dos grandes prevalece, desvirtuando as classificações das provas, pondo em evidência sempre os mesmos ou escondendo o mérito real do maior número, uns tantos desprotegidos que lutam pelo seu destaque próprio, sempre prejudicados na intenção de atingir essa finalidade." Acabava com uma curiosa pergunta que, ainda, hoje não conseguimos responder: "Até quando, este estado de coisas?"
A verdade é que, apesar da dureza da derrota, o Vitória deixara bons indícios... haveria de os confirmar ao longo do campeonato, até conquistar o primeiro quarto posto da sua história, curiosamente, à frente do seu adversário daquela tarde. Mas isso, já será outra história...
