COMO O VITÓRIA SE SAGROU CAMPEÃO DO MINHO, NUM DIA EM QUE A PRINCIPAL FIGURA DO ENCONTRO NÃO FOI UM JOGADOR, LEVANDO A UM ELOGIO QUE, PROVAVELMENTE, JAMAIS SE VOLTARÁ A LER...

O Vitória tinha-se sagrado campeão distrital naquela temporada de 1939/40, o que naqueles tempos era praticamente uma formalidade.

Seguia-se o Campeonato do Minho que, praticamente, ficara ganho com o triunfo em casa por duas bolas a uma frente ao eterno rival Sporting de Braga, devendo o mesmo ser carimbado contra o Sporting Clube de Fafe.

Segundo o jornal Notícias de Guimarães de 24 de Março de 1940, o jogo "teve todas as características de uma verdadeira final, sem, contudo, o ser."  Na verdade, no Benlhevai estava uma "assistência numerosa, entusiástica, irrequieta." Os jogadores entraram em campo "nervosos, revelando ardente desejo de triunfo."  Todos estes factores eram conducentes a um "ambiente de excitação no começo, mas de crescente acalmia com o decorrer do tempo." Em suma, como se escreveu, "respirou-se quási um ar de guerra."

A partida, essa, seria vencida sem margem para dúvidas pelo Vitória, por duas bolas a zero, devendo o conjunto fafense "dar-se por feliz com tal resultado, pois merecia maior punição. Nunca os seus homens construíram jogadas capazes de lhe poderem fazer alimentar a esperança de um triunfo."

Na hora da festa, da conquista do 2º título de campeão do Minho, o merecedor de elogios não era algum jogador vitoriano, nem sequer o treinador Alberto Augusto e muito menos a direcção. Era o árbitro Vieira da Costa que merecia o seguinte parágrafo no jornal consultado e que, hoje, seria algo único de se ler:

" Neste grande encontro - que o foi, inegavelmente, houve uma figura que se agigantou aos olhos dos milhares de espectadores. Queremos referir-nos a Vieira da Costa, o digno árbitro do encontro." Assim, "este homem de pequena estatura, nervoso, franzino, elevou-se a hércules e mereceu, pela autoridade de que soube revestir-se, pela honestidade e escrúpulo das suas decisões e ainda pela competência revelada, admiração geral." Por isso, não exageramos afirmando que foi ele, de longe, muito de longe mesmo, a maior figura do encontro." O elogio era concluído de forma apologética, arrebatadora, dizendo-se que "a sua figura simpática, irradiando conhecimentos e energia, jamais se apagará cremo-lo bem, na memória dos milhares de pessoas que encheram o campo de Benlhevai. Grande árbitro! Excelente Desportista!"

Todavia, para a história, e o mais importante era mesmo isso, ficava o segundo título de Campeão do Minho conquistado pelo Vitória e a certeza de ser a maior força futebolística da região...algo de infindável valor, numa altura em que eram escassos os contactos para lá desta.

 

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