COMO O FUTEBOL PORTUGUÊS SE UNE NA HIPOCRISIA, EM DEFESA DOS INTERESSES SEMPRE INSTALADOS...

“ - Percebe-se a controvérsia que este lance gerou. É um lance muito duro, que nós consideramos alaranjado, na linha fronteiriça. Tem alguns elementos que podemos considerar para vermelho e outros que não. Este lance tem uma variável de contacto perigosa, mas tem atenuantes para justificar o amarelo, que foi a decisão correta.

O jogador perde o domínio inicial da bola e tenta recuperá-la com força a mais. O Sudakov e o jogador do V. Guimarães tinham o pé apoiado no chão e, portanto, entre os elementos para vermelho e amarelo, o árbitro decidiu segundo os critérios. Na dúvida, decide-se por baixo. Ou seja, entre amarelo e vermelho, dá-se amarelo. Contudo, se o árbitro mostrasse vermelho, o VAR não podia intervir, por ser lances subjetivos, sem erros claros e óbvio."

Já era esperado...

O país todo, pelo menos aquele que vê futebol, tinha levado uma data de ignorante. De incapaz de distinguir o bem do mal, do legal do ilegal. Começou com Pedro Henriques, seguiu-se com os eruditos do Record e acabou com os daquela televisão cuja única divisa é defender os três de sempre.

Um festival de alarvidades, devidamente publicitadas por essa imprensa, e, simultaneamente, passando um atestado de incompetência aos árbitros que analisam os lances no jornal O Jogo, que, unanimemente, consideraram ser lance passível para expulsão.

Faltava, porém, a explicação científica. A explicação do Dr. Duarte Gomes. Aquele árbitro que, em pleno estádio da Luz, no auge e no apogeu da sua actividade, conseguiu apontar três grandes penalidades contra o Vitória no espaço de pouco mais de dez minutos. Ou, o mesmo juiz, também, conta o Benfica (certamente, coincidências) foi percursor do VAR no ano de 2002, recorrendo às indicações do, então, quarto árbitro, João Ferreira, que, supostamente, tinha visto um lance na televisão, quando tal ainda não era permitido, para expulsar Romeu e gerando quase um tumulto no estádio D. Afonso Henriques. Só por estes factos, a sua análise perceber-se-ia estar inquinada.

Porém, consegue ir mais longe! Consegue dizer que "é um lance muito duro", mas faz algo que nunca vimos dizer ao contrário: as atenuantes. Aliás, nunca ouvimos nenhum juiz, até hoje, justificar um qualquer lance com atenuantes.

Mais do que isso, a maquilhagem do lance como a fotografia demonstra. Quando Sudakov atinge Samu, a bola já partiu há muito. O ucraniano entrou ao homem e isso é claro, menos para a arbitragem portuguesa, sempre capaz de atirar areia para os olhos e nunca perder a vaidade de jamais reconhecer os erros.

Vaidade e cobardia, diga-se. Ontem, o ridículo espectáculo dado com os juizes da partida entre o Estoril e o Arouca a entrarem sozinhos em campo, é um exercício de poeira para os olhos, para afastar as atenções dos verdadeiros culpados. Aqueles que mais se manifestam contra eles. Aqueles que lucram com as suas decisões. Aqueles que desligam VAR e colocam imagens nos circuitos internos. Aqueles que controlam a opinião pública. Aqueles que beneficiam de análises dignas de um ginasta olímpica para defender o indefensável e agradar os mais poderosos.

E é isso que estará sempre a faltar no futebol português. Árbitros vaidosos, pouco humildes mas seguros de serem sempre protegidos se errarem a favor dos mesmos. Protecção essa dada, nem que seja passando um atestado de estupidez colectiva a quem gosta de futebol, e fazendo-nos sentir se valerá a pena continuar... mas, sem problemas... depois de Vitória, Braga e Alverca, a fava deste fim de semana sairá a Casa Pia, Famalicão e Santa Clara. E assim, sucessivamente...

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