Bastaram 17 jogos na equipa principal dos Conquistadores para saber que o seu nome estará sempre nas mais belas histórias vitorianas.
Na verdade, falar da carreira de Alexandre Valério, que os vitorianos recordarão pela alcunha de Kanu, foi uma espécie de meteorito: fulgurante e rapidamente a esvair-se.
Chegaria a Guimarães no início daquela difícil temporada de 2012/13, onde apertar o cinto era o principal objectivo. Depois de ter acabado o seu vínculo com o eterno rival, que o houvera emprestado ao Vizela no exercício antecedente, era aposta inicial para a nova equipa B formada nesse ano.
Contudo, atendendo à filosofia do conjunto Conquistador que, por esses anos, passava por dar oportunidade aos jogadores que se iam notabilizando na equipa secundária sénior, a partir daquele desafio contra o SC Braga para a Taça de Liga passaria a ser alternativa para a equipa principal, beneficiando, também, do agravamento da lesão de João Gonçalves que viu-se obrigado a findar a carreira. Deste modo, o jovem que fora contratado como central teve a sua grande oportunidade como lateral direito.
Pareceu agarrá-la com duas mãos, ao ponto do Record de 21 de Dezembro de 2012 escrever que "Rui Vitória poderá começar a lapidar um possível diamante em bruto." Tal era confirmado na mesma reportagem pelo antigo lateral Quim Berto, que o definia como tendo um grande futuro pela frente. Assim, "É rápido, agressivo e tecnicamente evoluído. Tem uma boa margem para evoluir, mas precisa que o ensinem. Para mim, e apesar de não ser muito alto, é sem dúvida a central que joga melhor, mas também já foi médio-defensivo com muito sucesso e, por isso, não me espanta que se tenha portado tão bem a lateral."
Em absoluto estado de graça, agarraria a oportunidade com as duas mãos. Tanto assim foi, que haveria de entrar no inesquecível onze que disputou e venceu a final da Taça de Portugal perante o Benfica. Haveria de ficar ligado ao resultado do jogo, ao ter intervenção no golo do conjunto lisboeta, ao aliviar a bola contra Gaitán, permitindo que esta ganhasse um efeito caprichoso e enganasse Douglas. Haveria de se recompor e realizar uma exibição de bom nível, até ser substituído aos 64 minutos por Marco Matias, na tentativa de Rui Vitória dar a volta ao jogo.
Atendendo aos bons sinais deixados, acreditava-se que a temporada seguinte seria a de afirmação do jovem brasileiro. Puro engano... perderia o comboio da equipa A, com a contratação Pedro Correia e o jovem João Amorim a passarem-lhe à frente. Além disso, seria nesse momento que começaram a surgir rumores quanto à sua falta de aplicação à carreira profissional aliados a constantes lesões. Assim, num ano para esquecer só jogaria por 7 vezes, sendo quatro delas na equipa A, com destaque para o desafio que disputou frente ao Betis, a contar para a fase de grupos da Liga Europa.
No final desse ano, sentindo que a estrada se estreitava, rescindiria, por mútuo consentimento, o contrato com o Vitória. Regressaria a casa para actuar no Apucarana Sports da cidade de Londrina. Pouco tempo lá haveria de estar, para regressar ao nosso país pela porta do Bragança do Campeonato de Portugal. Apesar de ser regularmente utilizado, no final dessa época de 2015/16 desapareceria dos radares.... tinha 24 anos e cada vez mais se pressentia que uma promissora carreira estivesse irremediavelmente perdida.
Haveria, porém, de reaparecer... nos distritais de Aveiro. Ao serviço do modesto Tocha, o Kanu, vencedor da Taça de Portugal, haveria de disputar uma partida na época de 2018/19 e 22 na seguinte. Para dar, posteriormente, por finda a carreira... sem se perceber como o "diamante em bruto" foi capaz de deixar de brilhar tão depressa!
