COMO NANDINHO LIDOU COM ALEXANDRINO, EM IMPROVÁVEIS MOMENTOS, E QUE DEMONSTRAM QUE O FUTEBOL PODE IR PARA ALÉM DO JOGO...

Já aqui recordamos Nandinho, extremo que chegou ao Vitória, proveniente do Benfica. E, também, já falamos de Alexandrino, o homem que se celebrizou com uma série de ditos e actos dignos de um charlatão e que Pimenta, naquela temporada de 2000/01, trouxe para os Conquistadores para levantar a moral de uma equipa que parecia descrente das suas próprias capacidades.

Diga-se que este último entrou a todo o vapor. A querer impor as suas (estranhas) regras a um balneário que, como Inácio reconheceria, estava longe de funcionar como um grupo, com alguns "gabirus" dispostos a deixar passar o tempo, sem vontade de trabalharem.

Com efeito, como recordou Nandinho, em entrevista ao Expresso de 14 de Novembro de 2020, o hipnoterapeuta chegou ao Vitória durante essa época, por acreditarem "... nos poderes parapsicológicos dele." Deste modo, quando chegou foi-lhe dada carta branca para dar palestras motivacionais, para fazer alarde dos seus poderes, fazendo os atletas acreditarem nas suas capacidades. Porém, para além desse lado, teoricamente, mais sério, "... andava sempre com muitos instrumentos musicais, que levava para o balneário." Algo que o jogador, confessou que como "... estava sempre na linha da frente para a palhaçada, ele começava a distribuir os instrumentos e eu pegava logo num ou noutro." Aliás, tanto era assim, que quando a excêntrica personagem queria dar alguma palestra, os jogadores, para o boicotarem, começavam a tocar nos instrumentos... sendo que, "ele depois ia fazer queixa ao treinador."

Outros episódios ocorreram numa relação que duraria pouco tempo, pouco mais de um mês. Assim, como contou, um dia, "ele está a dar a palestra e o treinador do guarda-redes pediu para ficar na casa de banho a ouvir a palestra dele. Nós dissemos que sim, que o fechávamos na casa de banho e que ele não podia sair dali, para não dar barraca. O Alexandrino manda-nos fechar os olhos e estarmos em silêncio enquanto ele fala e começa a debitar a palestra e de repente ouviu-se um estrondo enorme e sai o treinador a correr. O que é que foi? Ele pôs-se de pé em cima do lavatório para poder espreitar cá para fora e o lavatório partiu-se. Por isso, aquilo "foi uma barracada enorme."

Tendo sido revelado ao país no programa de Domingo à noite de Herman José, pelo facto de Nandinho ser um pianista de boa qualidade, pretendeu-o levar ao programa do homem que o fizera conhecido. Chegou-lhe mesmo dizer que " - Eh pá, se tu não te importares vou falar com o presidente a ver se tu vais comigo, vou pôr-te lá a tocar piano para eles verem que os jogadores de futebol não são burros como eles pensam, também têm outros dotes". Algo que o jogador recusaria, por ter de concentrar nos jogos e em ajudar a salvar a equipa da despromoção num ano difícil, de sofrimento.

Alexandrino era, também, conhecido pela sua inseparável corneta, um artefacto exótico que se tornou quase uma imagem de marca. Por isso, quis convencer o jogador a usá-la, depois de perceber que não podia entrar com a equipa em campo de corneta na boca instando-o a "- Tu hoje vais ter de ir à frente, vou dar-te uma corneta e tu quando entrares em campo, vais à frente da equipa com a corneta a tocar. É o sinal para eles estarem concentrados." Perante o inusitado da proposta, algo de nunca visto nos campos de futebol e depois da estupefacção inicial, dir-lhe-ia que " - Ó Alexandrino, eu nem sei se vou ser titular. E mesmo que eu seja titular, eu não sou o capitão e quem entra à frente é o capitão. O capitão vai entrar de corneta?!"

Mas, isso não era problema para a personagem que resolveu de imediato a questão. Assim, " - Então pronto, eu vou para a bancada com a corneta. Quando vocês ouvirem o som da corneta, é o sinal de alarme, que é sinal de que eles vão atacar."

Um verdadeiro personagem que duraria pouco no Vitória... mas, que serviu para provar que em tempos de desespero vale de tudo para fugir à despromoção... até, tentar tornar a equipa "firme e hirta como uma barra de ferro", como ele diria...

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