COMO ÁLVARO MAGALHÃES SENTIU QUE NÃO SERIA FELIZ NO VITÓRIA... PRECIPITANDO A SUA SAÍDA DO CLUBE, NO QUE CONSIDEROU O MAIOR ERRO DA SUA CARREIRA!

Já aqui se falou como a temporada de 2000/01 foi um tiro completamente ao lado dado pelo Vitória.

Com efeito, a escolha de Paulo Autuori, bem como os jogadores que este indicou, revelou-se falhada, abandonando o clube logo após uma derrota caseira por quatro bolas sem resposta frente ao Benfica treinado por um quase imberbe José Mourinho.

O senhor que se seguiu foi Álvaro Magalhães, proveniente do Gil Vicente, e que na altura se encontrava na crista da onda pelo bom trabalho efectuado no clube barcelense. Em Guimarães, porém, seria tudo diferente com o técnico na sua estreia a ser eliminado da Taça de Portugal, em Moreira de Cónegos... um momento, infelizmente, quase comum por aqueles anos.

A partir daí, seria gritante a incapacidade do técnico em dar a volta ao texto. Treinaria os Conquistadores em mais 10 partidas, só sendo capaz de triunfar em uma, em Campo Maior, frente ao Campomaiorense, graças a um golo do defesa central William. Com estes resultados, acabaria fora do Vitória, entrando para o seu lugar o treinador, então, campeão nacional, Augusto Inácio, que seria capaz de dotar o plantel de alguma tranquilidade para conseguir a manutenção.

Porém, muitos anos depois, em entrevista ao jornal Expresso datado de 27 de Setembro de 2020, haveria de esclarecer o que, segundo ele, realmente, esteve atrás de tamanho insucesso naquele que seria o grande projecto da sua carreira de treinador. Deste modo, não teve pejo em assumir que "o Vitória de Guimarães é um dos melhores clubes do nosso país. Um treinador para ir para Guimarães tem de ir de início e saber planear, programar, escolher os jogadores de forma a ter uma equipa à sua imagem. Porque a massa associativa do Vitória de Guimarães é do melhor que conheci no mundo do futebol. De alto nível."

Ora, tal não tendo acontecido, as dificuldades em dar a volta a um texto melindroso densificaram-se. A este facto, já de si complicado, somou-se o de "Paulo Autuori saiu e deixa uma equipa com muitos jogadores brasileiros. Eu não sou contra os brasileiros, mas muitos brasileiros numa equipa em Portugal, eh pá, um é bom, dois mais ou menos, três é uma escola de samba." Uma escola de samba com atletas em final de carreira, num cocktail que o treinador considerou quase venenoso às ambições do clube...

Até que chegou o jogo com o Alverca referente à 20º jornada do campeonato, em que o Vitória, depois de estar a vencer por duas bolas a zero graças aos golos de William e de Fredrik Soderstrom, deixar-se-ia empatar a dois, confirmando as dificuldades em ter êxito com o treinador no D. Afonso Henriques. Ora, segundo o técnico, "a seguir ao jogo eu e o meu adjunto fomos jantar e quando entrámos no restaurante estava esse jogador que não falo o nome, porque não merece respeito nenhum, com um outro treinador, espanhol, que tinha sido despedido do SC Braga. Ele sabia que esse treinador andava a oferecer-se ao Vitoria de Guimarães. Esse treinador foi jantar com esse jogador já veterano, já ratazana, com o intuito de me prejudicar."

A partir desse momento, percebeu que teria dificuldades em levar a sua missão em frente. Por isso, dirigiu-se ao presidente Pimenta Machado, alertando-o que "isto não dá. Agora já sei porque é que isto não vai para a frente. Vai lutar pela descida até a última jornada".

Ainda aguentaria mais duas jornadas, para deixar o Vitória após perder por quatro bolas a uma em Barcelos, naquela que fora a sua casa até abraçar o desafio vitoriano, e em casa com o Salgueiros. Depois abandonaria o Vitória, com a certeza que "Foi o maior erro profissional que cometi como treinador, não devia ter saído do Gil Vicente quando está o campeonato a decorrer, onde sou bem tratado... Às vezes a ambição é traiçoeira." E, teria de ser Inácio a vestir a pele de salvador vitoriano!

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