Falar de Carlos Fangueiro é falar do extremo que chegou a Guimarães, proveniente do Leixões na temporada de 1997/98. Em Guimarães cumpriria a sua primeira temporada, para, posteriormente, ser cedido a título de empréstimo ao Maia e ao Gil Vicente. Em Barcelos notabilizar-se-ia de modo tão claro, que não restaram dúvidas...tinha de regressar ao Vitória.
Mas, antes desse regresso e da história que marcará para sempre a sua vida, recuemos no tempo e ao modo como chegou à Cidade Berço em 1997/98, e que o próprio antigo jogador contou na primeira pessoa à Tribuna Expresso de 16 de Novembro de 2019: " - Num jogo da 2.ª B, em Esposende, ganhámos 2-0, fui eu que marquei os dois golos, uma exibição muito boa. No final do jogo, soube que estava lá um olheiro do Vitória. Depois, contactaram o meu agente; o Teixeira tratou de tudo." Não sem antes, os Conquistadores terem de chegar a acordo com o emblema matosinhense, pois "Eu tinha mais um ano de contrato com o Leixões e disse na altura que, se não houvesse acordo com o Leixões, não sairia, porque era o meu clube do coração. Mas como havia salários em atraso, aproveitou-se o facto do Vitória de Guimarães ter pago uma quantia que deu para me pagar também naquela altura."
E, desse modo, fez-se Fangueiro um Conquistador, com a coroa de glória de logo na sua primeira época de Rei ao peito, o seu único golo ter valido um triunfo no derby eterno... absolutamente a piscar o olho aos momentos que fazem uma carreira.
Porém, o momento que o jogador mais recordará enquanto atleta vitoriano, terá sido mesmo no início da última das quatro temporadas ininterruptas que esteve ao serviço do Vitória entre 2000 e 2004... a maior alegria de todas!
Tudo começou, como o próprio contou, quando " ... sempre que pude acompanhei a minha esposa aos exames e testes que tinha de fazer. E, logo no primeiro, constatámos a possibilidade de sermos pais de gémeos: viam-se bem duas bolinhas na primeira ecografia." Era a possibilidade de a gravidez desejada trazer, logo, dois filhos, o que o casal encarou com naturalidade, até porque de ambos os lados existiam pares de irmãos gémeos.
Contudo, sem certezas algumas, seriam avisados que uma das "bolinhas" poderia desaparecer, o que causou tristeza à sua mulher e que o levou, em tom de brincadeira e de tranquilização, a dizer que "- Ah, deixa estar que amanhã vais ter uma surpresa muito grande. Estavam duas bolinhas não estavam? Deixa lá que amanhã vais ter quatro, vai ser o dobro." Mal ele sabia o que dizia...
Assim, não a podendo acompanhar no exame seguinte, por ter treino, mal esta saiu do exame ligou-lhe a dar as novidades, levando o jogador, de rajada., a questionar se “- Então sempre se confirmou que vamos ter gémeos?”. A resposta deixá-lo-ia boquiaberto, a pontos de pensar numa carreira de vidente: " - Vamos, vamos. Tu é que vais ter uma surpresa muito grande. Lembras-te daquelas duas cabeças que lá estavam. Pois tinhas razão ontem. São quatro.”
Eram os quatro filhos do jogador, cuja novidade com que "A partir desse momento eu queria falar, queria dizer qualquer coisa e não conseguia, gaguejava e estive ali uns onze, doze segundos, sem exagero, a querer dizer alguma coisa e não saía nada."
Apesar de ser uma gravidez e um parto de alto risco, tendo mesmo que serem trazidas duas incubadoras de Coimbra para o Hospital de São João, os quatro (três meninas e um rapaz) haveriam de nascer com perfeita saúde, o que como é óbvio o deixaria de "Lágrima no olho, uma alegria tremenda. A primeira vez que os vi foi quando saíram da sala de partos nas incubadoras. Foi um momento único, sendo que não consegui logo passar muito tempo com eles, porque saíram a correr com eles para o elevador para irem para a neonatologia. Mas o facto de os ver ali, são meus, chegaram foi uma sensação de felicidade tremenda."
Fruto disso, regressado aos treinos do Vitória, receberia uma alcunha que o haveria de acompanhar no clube, mas, também, onde tem amigos e é conhecido. Assim, passaria a ser conhecido pelo "Super Pai. Super Pai e Super Mãe porque havia um ambiente formidável e o núcleo duro do Vitória fazia muitos jantares com as mulheres e com as namoradas dos jogadores." Núcleo esse, que segundo o próprio jogador, era composto por ele, pelo "Bessinha, o Nuno Assis, o Romeu, o Rui Ferreira, o Abel, o Rogério Matias, o Pedro Mendes, o Marco Couto."
E, mesmo deixando o Vitória no final dessa temporada, jamais haveria de deixar de levar o clube no coração... aliás, como o próprio reconheceu "Quando era pequenino, e ainda hoje obviamente, torcia pelo Leixões, o clube da terra. Sou sócio desde os seis anos. Foi o meu primeiro clube de paixão e continua a ser, mas depois de passar sete anos em Guimarães, a paixão pelo Vitória chegou e cresceu. Neste momento são estes os dois clubes que me fazem vibrar." E nós, sabemos disso, não fosse Carlos Fangueiro um dos bons amigos desta página e presença assídua nas iniciativas que, às vezes, levamos a cabo...
