COMO A EQUIPA DAQUELE ANO A QUERER CORTAR COM O PASSADO, CHOCOU DE FRENTE COM ELE, PARA, ATÉ HOJE, AINDA A CICATRIZ AINDA NÃO TER FECHADO...

Era uma equipa que queria cortar com o passado...

Depois da inenarrável arbitragem de António Garrido na última jornada do campeonato anterior, e que custou ao Vitória o apuramento europeu e uma série de castigos, a ideia passava por abrir um novo ciclo.

Por isso, o treinador Mário Wilson deu lugar a Fernando Caiado, que já tinha orientado o clube na época de 1969/70, sendo que chegaram à equipa homens como Ferreira da Costa, Rui Lopes e Celton. Nos abandonos teremos de aludir às saídas de Romeu, em busca de fama e de fortuna no Benfica, e do goleador Jeremias, vendido por uma boa quantia aos catalães do Espanhol.

A época, essa, seria feita de altos e baixos. Começaria com um empate caseiro a dois contra o Belenenses, ainda que, como escreveu o Notícias de Guimarães de 13 de Setembro de 1975, "deliciou os seus adeptos com uma exibição de alto lá com ela." Continuaria com um saboroso triunfo em Faro, para, de imediato, chegar a primeira derrota do campeonato em casa, perante o eterno rival SC Braga, numa tarde, em que como foi noticiado pelo Notícias de Guimarães de 27 de Setembro de 1975, "O Vitória, em sua casa, após vinte minutos de futebol de alto nível em que reduziu o Braga à expressão mais simples, obtendo um magnífico golo e perdendo mais três ou quatro, ao sofrer um golo inesperado ficou de tal maneira combalido", que haveria de perder a partida por duas bolas a uma.

A comprovar essa montanha russa, o facto de em seguida ter conseguido vencer a CUF no Barreiro por duas bolas a uma, sendo que o primeiro triunfo caseiro só haveria de suceder à sétima etapa do campeonato quando os Conquistadores bateram o Leixões por quatro golos a um, num dia em que, segundo as publicações consultadas, "até jogou displicentemente."

O campeonato continuaria com especial destaque para a série entre a 17º e a 25º jornada do campeonato, em que o Vitória não sofreu qualquer derrota, averbando cinco êxitos e quatro empates, que catapultou a equipa para a quarta posição e a fez os adeptos sonhar com o regresso às provas europeias.

Contudo, as cinco últimas jornadas, não obstante o triunfo perante o FC Porto, obtido "com todo o mérito", os Conquistadores, que já sonhavam com um encontro com a história na Taça de Portugal, só seriam capazes de triunfar nessa contenda, terminando o campeonato no sexto posto a dois pontos do Sporting e a três do Porto.

Todavia, nesse momento, as atenções já estavam todas viradas para a Taça de Portugal, com a equipa a ser capaz de eliminar FC Porto e Sporting pelo mesmo resultado (duas bolas a uma), para marcar encontro no Estádio das Antas com o Boavista na final. Aí, naquele dia 13 de Junho de 1976 assisitir-se-ia a uma reedição do sucedido um ano antes, com Garrido a prejudicar gravemente o Vitória, usurpando-lhe, de modo ostensivo, a possibilidade de ser feliz na prova rainha do futebol português. Aliás, seria uma arbitragem que nenhum vitoriano que tenha vivido esse dia, ainda hoje, foi capaz de esquecer...

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