Manuel Cajuda será dos treinadores mais marcantes dos 103 anos de vida do Vitória. O técnico algarvio, com o seu bom trabalho, conseguiu resgatar os Conquistadores dos tugúrios da Segunda Liga só parando quando, na época seguinte, a de 2007/08, colocou a equipa no terceiro lugar do campeonato nacional, num percurso merecedor dos maiores elogios.
Porém, a época seguinte seria incomparavelmente mais difícil. Com efeito, a desilusão, quase depressão, provocada pelo roubo de Basileia, bem como a dificuldade em substituir pedras fulcrais da temporada anterior como Geromel, Alan, Ghilas ou Miljan Mrdakovic, levaram a que esse exercício fosse incomparavelmente menos bem sucedido, com a equipa a ser incapaz de conseguir sequer apurar-se para as competições europeias.
Porém, nada fazia prever que o técnico algarvio, credor, pelas condições já mencionadas, do respeito de todos os vitorianos, abandonasse o clube. Aliás, projectava-se o futuro com ele ao leme... até que uma entrevista que cedeu ao jornal O Jogo haveria de desencadear o adeus e mais uma convulsão na história vitoriana, com Emíliio Macedo da Silva, no auge do poder, a dizer que "jogador é para jogar, treinador é para treinar e dirigente para dirigir”.
A história haveria de ficar em stand-by durante muito tempo, até o treinador algarvio a relembrar em entrevista ao jornal Expresso de 18 de Março de 2018 e esclarecer alguns pontos.
Assim, haveria de começar por esclarecer o que pretendera dizer quanto ao facto de ter dito que "tive um prémio de subida que até dá para rir." Ora, segundo o treinador a história era verídica, sendo que tal sentimento seria atenuado pela atitude dos seus jogadores, incentivados pela iniciativa do seu adjunto, o malogrado Basílio. Com efeito, "... recebi 9 mil euros, dados pelos jogadores, tiraram 500 euros cada, mais o adjunto o Basílio." Reforçaria, por isso, "que foi o Basílio que fez isso tudo."
Ora, isso, fez com que o treinador qualificasse o sucedido como "... uma vergonha que o homem que tivesse dado vida ao Vitória não tivesse um prémio", já que "o clube não me deu nada."
Mas, os problemas não se ativeram, apenas, aos prémios e à questão monetária. Como o técnico contou na mesma entrevista, "... queriam obrigar-me a dar aval por jogadores, não dei..."
Estas situações levaram a que as partes se afastassem e se Cajuda deu a célebre entrevista, segundo o mesmo, do lado dos responsáveis vitorianos "começaram a dizer que eu era um empecilho."
E, assim, abandonaria o clube, com uma inquietante convicção, que passava pelo sentimento de que "Fui posto na rua, fui posto na rua por ser incomodativo."
Contudo, nada nem ninguém apagará o extraordinário trabalho por si realizado e que estará para sempre na história vitoriana!
