Dizia Valdano, do alto do seu conhecimento futebolístico, que engloba a o conhecimento prático com o teórico de quem muito leu e que escreveu sobre ele, que a qualidade de um jogador é facilmente percepcionável ao primeiro toque que parece dar na bola, no modo como a acaricia.
Na verdade, pese o olhar mais ou menos clínico e treinado de todos nós, haverá alguns momentos em que conseguem vislumbrar talento e qualidade...
Ao Vitória, no defeso que findou, chegou um jovem e desconhecido sérvio que quase ninguém ouvira falar. É verdade que percorrera o caminho das selecções jovens do seu país, que as escolas de formação balcânicas são de qualidade insuspeita, mas nem sempre o que luz é ouro.
Contudo, aos primeiros toques, Matija Mitrovic, fez-nos lembrar a expressão de Valdano. O modo de tocar a bola, de a ceder aos colegas deu a entender haver "ali qualquer coisa." Faltariam outras como a agressividade sem bola, a intensidade da pressão, mas com 20 anos essas seriam as coisas a limar.
Ontem, no jogo mais apaixonante da temporada, terá dado o grito definitivo da sua afirmação. Mais do que o golo para perdurar na memória por muitos e bons anos e que demonstrou força, classe e intencionalidade, encheu o campo. Complementou o músculo de Beni e mais do que isso demonstrou uma leitura de jogo e uma facilidade de colocação de bola que permitiu ao Vitória, principalmente, na segunda parte espraiar-se pelo campo, subir no terreno, colocando-se mais avançado no terreno.
Quando saiu esgotado, levou consigo a certeza ter convencido o exigente tribunal vitoriano... e a certeza que com a classe e uma capacidade técnica que confirma quem disse que a antiga Jugoslávia era o Brasil da Europa aliada ao músculo e pujança de Beni, a zona central do Vitória tem algo que os treinadores procuram... a complementaridade que permite a uma equipa dar resposta às várias situações de jogo.
