COMO EM ALVERCA ACONTECEU UM MILAGRE, QUE AJUDOU, NUM ANO MUITO DIFÍCIL, A RESPIRAR COM UM POUCO MAIS DE ALÍVIO...

Aquele ano de 2003/04 correu completamente ao contrário do esperado. Com efeito, com Augusto Inácio ao leme, o Vitória viveu momentos agónicos ao ponto do treinador ter de ser substituído por Jorge Jesus, que, também, não teria vida fácil no banco.

Com efeito, em 14 desafios só seria capaz de vencer o Estrela da Amadora, sendo, inclusivamente, eliminado da Taça de Portugal pela Naval 1º de Maio, então nos escalões secundários do futebol português.

Com a vida a andar para trás, incapaz de triunfar fora, mas, pior do que isso, também, em casa, que chegou a ser interditada pelos acontecimentos ocorridos no jogo contra o Boavista, temeu-se que o Vitória pudesse cair no cadafalso da Liga 2... algo de impensável no início da época, mas que, naquele momento, era uma realidade tida como plausível.

Contudo, do nada, surgiria uma luzinha com aquele saboroso empate obtido no sempre difícil reduto do Marítimo, seguido de um triunfo caseiro frente ao Beira Mar que deixava o Vitória ainda a três pontos dos lugares de manutenção, mas que faziam acalentar algumas esperanças na salvação.

Por isso, aquele jogo com o Alverca, a disputar numa Sexta-feira à noite, no dia 02 de Abril de 2004, era tido como determinante. Na verdade, com o conjunto ribatejano a deter quatro pontos de avanço sobre os Conquistadores, uma derrota poderia significar um rude golpe nas aspirações de fuga ao inferno, já que a diferença pontual entre as duas equipas passaria para sete pontos.

Assim, a equipa que, naquele dia, foi composta por Palatsi; Bessa, Medeiros, Marco, Rogério Matias; Flávio Meireles, Rui Ferreira, Ivan Djurdjevic, Nuno Assis; Romeu e Carlos Carneiro entrou em campo com a consciência que a partida era importantíssima, até pelo facto de, até esse momento, ter sido incapaz de encadear dois triunfos consecutivos na máxima prova do futebol português.

Assim, como escreveu o jornal O Povo de Guimarães de 09 de Abril de 2004, "desde os minutos iniciais se percebeu que o Vitória era uma equipa personalizada, indiferente ao lugar que ocupava e disposto a explorar os pontos fracos dos ribatejanos." Atento a essa atitude, "dominou o jogo na primeira parte", ainda que em contragolpe a equipa da casa causasse alguns sustos ao último reduto vimaranense.

O momento do jogo, esse, haveria de acontecer na segunda metade, aos 59 minutos da partida, quando Nuno Assis marcou "um golo de ouro", ainda que até ao final da partida se tivesse de sofrer muito, até pela grande penalidade desperdiçada por Bessa na recta final da contenda.

Porém, pela primeira vez nesse ano, o Vitória era capaz de vencer longe de Guimarães... um verdadeiro milagre para uma equipa que já se dava como perdida e que a colocava "... nos calcanhares do Belenenses, Académica e Alverca." Todavia, "não tira os comandados de Jorge Jesus da zona da despromoção, mas ficaram numa posição estratégica para dependerem de si próprios para se manterem na SuperLiga." O caminho, assim, ainda haveria de ser difícil, mas isso será outra história.

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