NAQUELA ÉPOCA DE 1943/44, O VITÓRIA FOI CAMPEÃO (COM GOLEADA!) EM CASA DO RIVAL!

Aquela temporada de 1943/44 no que a distrital diz respeito até nem começou bem. Com efeito, a derrota por quatro a dois em Famalicão parecia indicar que o Vitória sentiria dificuldades em revalidar o ceptro que parecia ser já uma mera formalidade.

Puro engano! Os Conquistadores começaram a vencer, golearam estrondosamente o Vizela por duas de golos sem resposta, vingaram-se dos famalicenses ao aplicarem-lhe chapa 7, e chegaram ao jogo mais apetecido com a hipótese de se tornarem campeões.

Para isso ocorrer era necessário vencer em casa do SC Braga, o eterno rival, no Campo da Ponte, ainda que como o Notícias de Guimarães de 07 de Novembro de 1943, o Vitória apresentava uma superioridade técnica indiscutível em relação ao adversário.

Ainda que "O Vitória (...) sem se mostrar a toda a altura das suas possibilidades", cedo chegou à vantagem através da "marcação de um canto apontado por Laureta". A partir daí, os jogadores "tiveram de esquivar-se às cacetadas que lhes eram dirigidas sem dó nem piedade, apesar das reprimendas insistentes do árbitro."

Assim, se chegaria ao intervalo. Na segunda metade, a superioridade vitoriana seria mais evidente, graças aos tentos de Ferraz, Brioso e de Alexandre "que mesmo com uma das mãos a segurar os calções, que ameaçavam cair-lhe por se ter rebentado o elástico da cinta, conseguiu isolar-se e bater Soeiro a uma pequena distância."

Era um êxito indiscutível vitoriano em reduto adversário, que nem o golo da consolação esbateu. Na verdade, "O Vitória, sem ter feito uma exibição brilhante, jogou para ganhar. Soube acautelar-se à defesa e investir com inteligência. Era essa, na verdade, a táctica aconselhada e que bons resultados lhe deu."

Os Conquistadores venciam por quatro bolas a uma, sagravam-se campeões distritais com dois jogos ainda por disputar e nos quais haveriam de marcar mais sete golos ao Gil Vicente e outros tantos ao Fafe. Porém, já com o Campeonato Nacional na mente, era "indispensável que digna Direcção do Clube vimaranense procure resolver o problema da instalação do público nas bancadas, ampliando-as." Tal não sendo possível, "é preciso dar aquele pelo menos o máximo do conforto e da segurança a que tem direito." Além disso, era chamada a atenção para o "acanhadíssimo espaço destinado à imprensa, que não chega para nada, desde que de fora comecem a vir - como vai acontecer - pessoas para o desempenho dessa missão."

Era o Vitória a assumir-se, declaradamente, como a máxima referência distrital a nível futebolístico, mas a querer extravasar essa liderança para as infra-estruturas...

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