COMO PIMENTA DECIDIU RECANDIDATAR-SE, INDO A VOTOS CONTRA EDUARDO FERNANDES, NUM ACTO ELEITORAL QUE SÓ AQUECEU EM DUAS ENTREVISTAS...

Pela segunda vez desde que assumira a liderança do Vitória, António Pimenta Machado iria ter oposição num acto eleitoral. Na verdade, depois de ter vencido o seu primo Armindo em 1984, deveria lutar contra o empresário Eduardo Fernandes que, naquele Janeiro de 1988, apresentava um projecto alternativo para dirigir o clube.

Num acto que o presidente em exercício venceu tranquilamente, o episódio mais "picante" terá sucedido nas páginas do jornal Povo de Guimarães de 22 de Janeiro de 1988, quando Pimenta assumiu que, após um jogo contra o Benfica em que o Vitória fora muito prejudicado pela arbitragem de Francisco Silva, decidira não candidatar-se, o que, segundo ele, levou ao aparecimento da lista de Fernandes. "Porém na 2ª feira, durante a tarde, vieram cá o Sr. João Baptista (nota: dono do restaurante Baptista) e um outro sócio insistir para que eu continuasse."

Desse encontro, surgiria a sugestão de uma reunião entre o presidente em exercício e o pretendente, que Pimenta aceitou "com a finalidade de eu ficar a conhecer quais as perspectivas do Sr. Eduardo quanto ao Vitória e à sua gestão."

Terá sido aí que Pimenta decidiu (re)candidatar-se, pois, "...nessa conversa eu disse ao Sr. Eduardo - elucidando-o acerca das condições do clube - que o Vitória só cobria as despesas pelas receitas em 2/3. A isso, o Sr. Eduardo respondeu-me que se o Vitória não tinha 200.000 contos, se tinha de governar com 150.000."  Tal terá sido uma das razões para a recandidatura, pois, Pimenta, ter-lhe-á respondido que tal medida "iria afectar, ia ter reflexos, no futebol profissional."

Outro ataque à candidatura proponente passou pela realização das ambicionadas obras no estádio, então, Municipal, sendo que"... aí o Sr. Eduardo respondeu-me que a Câmara já tinha sido colaboraste e que se durante um ano (...) nada fizesse não lhe poderíamos levar a mal."

Dessa entrevista, destaque para a confissão que Ademir, a estrela da companhia, possuía uma cláusula no seu contrato que lhe permitia sair do Vitória caso o presidente em exercício perdesse as eleições, concluindo que "os jogadores são de quem os comprou, mas o importante não é isso, mas sim onde eles jogam. (...) Os jogadores não são propriedade de ninguém. Os jogadores estão comprometidos com o clube enquanto o contrato o disser."

Com um ataque tão cerrado ao oponente e que, no fundo, segundo ele, era o leit-motiv para a sua candidatura, esperava-se o contraditório do oponente. Haveria de surgir na semana seguinte nas páginas do mesmo jornal.

Desde logo, Eduardo Fernandes contou outra versão para a realização do encontro, já que "na Segunda-feira, dia que terminava o prazo da entrega das listas, apareceu no meu estabelecimento o Sr. Baptista, dizendo-me que o Senhor Pimenta Machado queria falar comigo, solicitando-me que eu fosse ter com ele à Sede." Seria, segundo ele, assim que se produziria o referido encontro, desmentindo a versão anteriormente apresentada, até porque "O Sr. Baptista, então, telefonou na minha presença para a Sede, informou que eu não ira e sugeriu em encontro no seu Restaurante. Foi aí que se realizou o encontro."

Quanto às divergências orçamentais, desmentiria a ideia apresentada por Pimenta que houvera dito que se fosse necessário iria ter de trabalhar com menos dinheiro. Com efeito, "o Senhor Pimenta Machado disse-me que o Orçamento do Vitória eram 300.000 contos. Agora fala em 200.000. Onde estão os outros 100.000? Ou seja, já não se lembra dos números que me anunciou, porque a única coisa que ele pretendia era assustar-me para eu desistir."

A partir daí fazia contas às receitas do clube, de modo a comprovar que as receitas geradas davam algum desafogo ao clube.

Quanto às obras a levar a cabo pela Câmara, defender-se-ia lembrando que "se a Câmara não fizesse as obras comigo a Presidente, também não as fará com ele.

Por fim, a questão de Ademir, onde foi arrasador ao dizer que "era importante salientar que o Senhor Pimenta Machado confirma nessa entrevista que há jogadores que são sua pertença, como é o caso do Ademir. Mas então ele é Presidente ou Empresário? Será que são dele os jogadores que dão lucro e do Vitória os outros?" Por isso, alertava para a gravidade da situação, pois "quando um Presidente se for embora, leva os jogadores todos com ele, e depois?"

A verdade é que as eleições seriam disputadas a dois... ficando para a história as razões apresentadas por Pimenta para se recandidatar, ainda que desmentidas pelo seu oponente!

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