COMO BASÍLIO, O MENINO, CHEGOU À EQUIPA SÉNIOR, PLENO DE SONHOS E DE MÍSTICA...PARA VIVER UMA VIDA SEMPRE COM O REI ACONCHEGADO NO PEITO!

Era o menino daquela equipa de homens feitos...

O menino com pouco mais de 20 anos, formado no Vitória, seguindo as pisadas do seu irmão Miguel, mas que na temporada anterior, a de 1985/86, estivera emprestado ao Lixa que disputava a, então, Terceira Divisão.

Fruto dessa mudança de escalão competitivo, nada mais natural que, no início da sua afirmação no seu clube do coração, confessasse no jornal do Vitória de 03 de Setembro de 1986, que "ao princípio senti as dificuldades naturais de adaptação." Porém, logo de seguida, deixava o indício de que aquele grupo era diferente de muitos pela união, pelo entrosamento, pois "os meus colegas animaram e ajudaram-me muito."

Na verdade, nesse arranque de Rei ao peito nos seniores, Basílio sabia bem o que era o Vitória. De que massa um Conquistador deve-se revestir para ter êxito e mais do que chegar ao topo do clube, lá manter-se. Por isso, a mística vitoriana era algo que lhe era imanente, até pelas palavras vertidas e que aludiam a que "O Vitória não é um clube qualquer. Tem prestígio, também é um dos grandes."

Ora, sendo assim, para se manter na equipa, naquele extraordinário conjunto que a todos fez sonhar, era preciso dar tudo. Não regatear esforços para permanecer no plantel, pelo que "recordo que nos primeiros dias, a minha ambição era fazer parte dos convocados." Contudo, essa dedicação teria o reconhecimento do treinador brasileiro que acabara de assumir os destinos vitorianos, o inesquecível Marinho Peres. Assim "... deu-me a oportunidade e agarrei-a com ambas as mãos. Trabalhei, vou continuar a trabalhar porque o plantel do Vitória é vasto e qualquer um pode entrar na equipa."

Entrar na equipa pela porta da lateral esquerda, pois "sinto-me bem neste lugar. De resto desde infantil que o faço (...) apesar de já ter experimentado jogar no lado direito e a central."

Disposto a tudo, aquela era a idade de todos os sonhos, atingir os mais altos patamares do futebol, "jogar e ser titular é o meu primeiro objectivo. Mais tarde pensarei na Selecção que é o que todos ambicionam. Mas ainda é cedo para pensar nisso." Porém, o amor ao emblema da Cidade-Berço já falava mais alto, ao prometer que "vou continuar no Vitória porque é uma das grandes equipas de Portugal, que oferece o melhor aos seus jogadores e penso que qualquer um gostaria de aqui estar."

E, assim viveria no Vitória... durante 11 ininterruptas temporadas, onde disputaria 201 partidas oficiais marcando um golo. A estas juntar-se-iam oito no corpo técnico do clube, que abandonaria definitivamente após o início da época de 2011/12, quando Rui Vitória assumiu a equipa, depois da demissão de Manuel Machado, e após tê-la orientado num infeliz jogo de transição frente ao Beira-Mar.

Basílio deixou-nos aos 54 anos... demasiado cedo, com demasiada vida pela frente. Mas, onde quer que esteja, continuará a sofrer e a viver o Vitória. Não fosse o "Menino", como era conhecido pelos seus colegas daquela inesquecível epopeia de 1986/87, alguém que tinha o Rei junto ao coração...

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