Roldão Moreira Novais será daqueles jogadores que estarão eternamente na história dos Conquistadores. Principalmente, para aqueles que viram jogar o veloz esquerdino, chegado a Guimarães em 1985, mas também para aqueles a quem foram narradas as façanhas de um homem que não teve uma vida fácil até se afirmar no mundo do futebol.
Com efeito, apesar de ter assumido em entrevista ao jornal do Vitória de 24 de Outubro de 1985, que "eu não escolhi o futebol, o futebol é que me escolheu a mim", a verdade é que o jogador não deu os primeiros pontapés num campo de futebol, ou quanto muito na tranquilidade de um lar convencional. Na verdade, o jogador encetou a carreira "no orfanato, onde vivi dez anos, aparecem sempre uns olheiros."
Mesmo assim, "depois de ter jogado seis anos nos infantis, comecei a trabalhar", ainda que continuasse a jogar ao fim de semana com os amigos, que o incentivaram a tentar uma carreira profissional. Por isso, tomou a decisão que haveria de lhe mudar a vida: "abandonei a faculdade porque era impossível conciliar os estudos e o futebol."
Deste modo, como confessou "apostei no futebol, trabalhei e aproveitei as oportunidades que me surgiram”. Oportunidades essas que o fariam saltar para o futebol europeu "pela mão do Dr. Ronaldo, numa altura em que o Vitória andava pela mó de baixo..."
Seria ele, contudo, a ajudar a catapultar a equipa Conquistadora para os mais altos lugares da tabela, apesar de "o dinheiro que ganho no Vitória dá para comer, fazer umas coisinhas e nada mais...se não fossem os prémios este ano."
Por isso, talvez, tenha decidido abandonar o Vitória no final da memorável temporada de 1986/87... ainda que, após um ano no Nacional da Madeira, tenha respondido presente ao apelo do regresso, para voltar a ser determinante em mais duas temporadas. Foram 156 partidas de Rei ao peito, 19 golos apontados, inúmeras assistências e a alegria de ter sido determinante na conquista da Supertaça Cândido Oliveira e em um terceiro e dois quartos lugares... nada mal para um homem que dizia que "eu gosto realmente é de participar na campanha que o Vitória está fazendo. Se ela for boa e eu participar dela tanto melhor, não importa que fulano ou sicrano seja o goleador. Interessa é que o Vitória consiga os pontos necessários."
Seria a pensar assim que ter-se-á tornado num dos melhores extremos da história do clube