COMO VANESSA MARQUES, A PRINCESINHA, QUER CONTINUAR A ESCREVER BELAS HISTÓRIAS, DE UMA CARREIRA NÃO MENOS BELÍSSIMA, DE REI AO PEITO...

A maior surpresa da noite de festa vitoriana de ontem não se prendeu com a apresentação de algum jogador para a equipa masculina.

Na verdade, foi a contratação de uma médio ofensiva para a equipa feminina, recém-ascendida ao primeiro escalão, que demonstrou que o Vitória não irá estrear-se no escalão principal da modalidade para fazer número. Pelo contrário, vem para vencer e ser competitivo.

Só assim se entenderá a constatação da jogadora Vanessa Marques, que, nas duas últimas temporadas militou no Racing Power, e que conta com 89 internacionalizações pelas selecção portuguesa, que compreendem a participação em dois campeonatos europeus da modalidade. Será mesmo a futebolista (masculina ou feminina) com mais internacionalizações a vestir a camisola dos Conquistadores na sua mais do que centenária história, superando o extraordinário Ricardo Quaresma que chegou às 80 partidas pela equipa de Todos Nós.

Nascida em Lyon, em França, sentiria o apelo do futebol quando regressou a Portugal. Nas Caldas das Taipas integraria uma equipa mista, conjuntamente com os seus irmãos, sendo que a primeira equipa verdadeiramente feminina que representou foi a do Sandinenses. Já aí como assumiu ao jornal Expresso em entrevista datada de 16 de Setembro de 2018, "Quando jogava com os rapazes, os colegas sempre me respeitaram e era sempre das primeiras a ser escolhida. Já os pais de alguns rapazes, mandavam algumas bocas, tipo "maria rapaz", e outros nomes. E instigavam: "Olha, não tens vergonha de ter levado uma 'coxa' da rapariga... vai-lhe às pernas, parte-lhe as pernas". Na altura, era injusto. Éramos crianças e queríamos divertir-nos sem olhar a géneros. Mas da parte das bancadas, sempre fui bem acolhida em todos os clubes por que passei."

Daria, por isso, nas vistas, ao ponto de, como confessou, "a minha primeira internacionalização foi aos 14 anos, nunca equacionei sequer representar uma seleção que não a portuguesa. E aos 15 anos já jogava pela seleção A, um marco e um sonho na carreira de qualquer atleta."

Um exemplo de talento e de precocidade, numa carreira que não terá ido mais além pela forte ligação à família, como a própria admitiu, ao dizer que "Sou muito ligada à minha mãe. Convites já tive muitos, desde os EUA, Espanha, Itália, França. Nunca me puxou porque as condições propostas não valiam a pena. Outro motivo é de facto ter um relacionamento muito forte com a minha mãe e irmão. Há coisas que o dinheiro não paga. Terá de ser um convite que compense mesmo o sacrifício. Mas, se acontecer, sei que a família vai apoiar-me."

Haveria de acontecer, aceitando viver durante um ano uma aventura nos húngaros do Ferencvaros, onde foi campeã do país depois de já ter brilhado a grande altura em clubes como o Vilaverdense, o Valadares Gaia e o eterno rival vitoriano onde assumiu o estatuto de estrela da companhia. Seria por essa altura que começou a ser alcunhada por Princesinha, apodo que a orgulha e que lhe foi colocado por uma das responsáveis da equipa feminina das Quinas e que seria imediatamente adoptado pelas suas colegas da equipa.

Aos 29 anos, ainda tem em si, todos os sonhos e ambição do mundo. Os sonhos que fizeram a "Princesinha", ao serviço do Racing Power, ser por duas vezes a jogadora do mês na Liga BPI, na temporada de 2023/24 ainda que isso não a fizesse perder a sua desarmante humildade. Humildade, essa, que a fez referir ao jornal O Jogo de 02 de Fevereiro de 2024 que "A palavra “craque” não está no meu vocabulário. Independentemente das minhas conquistas e dos lugares por onde passei, não me vejo como superior ou inferior a ninguém. Sou uma pessoa humilde, simples, conheço as minhas raízes e mantenho os princípios que me foram transmitidos, e que nunca irei abandonar."

Independentemente disso, estará pronta para abraçar um dos mais apaixonastes desafios da sua carreira. Vestir a camisola do Rei, guiar com a sua experiência e o seu exemplo as demais colegas de equipa, fazendo-as acreditar no êxito e... quem sabe, ser a primeira jogadora a vestir a Camisola das Quinas enquanto atleta do Vitória. O futuro começa agora...

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