O D. Afonso Henriques estivera em obras durante um ano, a preparar-se para receber o Campeonato Europeu 2004.
Tratou-se de um conjunto de obras que obrigaram o Vitória a actuar em Felgueiras, para só apenas voltar a casa no ano seguinte. Antes do jogo inaugural perante os germânicos do Kiserslautern, o estádio seria apresentado no seu showroom, um espaço onde, até há poucos meses, funcionou o espaço de atendimento ao associado.
Na apresentação do remodelado recinto, José Luís Ribeiro, então, director de relações públicas e marketing do Vitória, como escreveu o Notícias de Guimarães de 06 de Junho de 2003, aludiu ao facto de já nada ser como antes, pelo que "existe a necessidade de rentabilizar para colmatar despesas inerentes."
Assim, abria portas a que pela primeira vez no clube se vendessem lugares anuais por todo o estádio, já que até essa data tal possibilidade aquisitiva restringia-se aos denominados cativos, situados na parte central da, então, Bancada Central, passe o pleonasmo. Deste modo, a nova possibilidade "implica o pagamento do valor anual, que pode ir dos 15 aos 300 euros, dependendo o valor, da bancada escolhida e zona da cadeira. Acresce ainda, que ao contrário do que actualmente sucede, os sócios sendo possuidores de lugar anual têm desconto de 10% na Clínica Dentária do Parque, um seguro que vai cobrir qualquer eventual acidente que possa sofrer nas 24 horas do dia dos jogos, assim como a redução de três cêntimos/litro no combustível." Contudo, referia-se que estes dois últimos bónus, ainda, se encontravam em fase de negociações.
A comprar o primeiro lugar anual no Vitória, um homem que dedicou a vida ao clube. Que morreu em 2019, a trabalhar nas instalações do clube, com a sua inseparável bata com um enorme símbolo do Rei nela estampado. Falamos de Albino Freitas, que não quis perder a oportunidade de adquirir o lugar 35, fila C, Sector EN na bancada nascente, pois "a minha paixão sempre foi o Vitória." Relativamente ao valor de 35 euros que pagara, considerava-o relativamente acessível, pois "tendo em conta as comodidades e vantagens que os sócios irão usufruir. Até agora tínhamos que nos sujeitar às consequências de chegar tarde e ver o jogo onde houvesse lugar. Agora não. Sabemos que temos o nosso lugar à nossa espera."
Contudo, nem todos pensariam assim. Deste modo, um grupo de 120 sócios, encabeçados por António Teixeira, escreveriam uma carta aberta ao presidente da direcção a "demonstrar a sua indignação pelo aumento encapotado que o senhor tenta fazer de perto de 50% a todos os sócios que queiram assistir aos jogos..." Argumentavam ao facto de "não tendo o nosso Clube contribuído monetariamente para as obras efectuadas no estádio, ainda vai receber uma choruda verba pelo aluguer à UEFA, do estádio para os jogos efectuados na nossa cidade." e "numa altura em que o País está em grave crise financeira que nos afecta a todos, tal aumento é uma afronta a todos os vitorianos.", "será que um aumento exorbitante como este não deveria passar por uma assembleia de sócios?"
Por isso, concluíam que "por este andar o nosso clube passará dentro de pouco tempo a uma associação de elite, a cidade ficará com um estádio bonito com capacidade para 30 mil pessoas onde o Sr. com "a visão" e "Democracia" que lhe são reconhecidas meterá no máximo 4 ou 5 mil sócios, mas como sempre, o Sr. ficará orgulhosamente só."
Além disso, avançariam com uma recolha de assinaturas para a realização de uma assembleia-geral extraordinária, propósito que seria rejeitado pelo presidente da Assembleia-Geral, Pedro Xavier. Como relata, o Notícias de Guimarães de 01 de Agosto de 2003, o presidente do órgão entendeu "...não terem sido violado os estatutos, nomeadamente da norma invocada pelos requerentes, uma vez que os sócios que não pretendam adquirir o lugar anual, continuam a ter acesso gratuito ao D. Afonso Henriques, em sectores pré-determinados pelo novo regulamento do Estádio."
Entretanto, os vitorianos diziam presente ocupando todos os lugares da Bancada Poente e sendo seduzidos pelo efeito novidade da Nascente. Além de que a novo Topo era objecto da curiosidade de todos...
O Vitória, não obstante a polémica, colocava, pela primeira vez e com êxito, os lugares do seu estádio à venda...

