O Notícias de Guimarães, datado de 01 de Agosto de 2003, não deixava margem para dúvidas: fora um momento histórico.
Ora façamos a sua transcrição: "Afonso Martins entrou na história do clube e do estádio, pois foi o autor do primeiro golo no remodelado e ampliado estádio. Estavam decorridos 35 minutos, quando Afonso Martins permitiu a primeira explosão de alegria no estádio, ao aproveitar os vários ressaltos na área contrária para facturar."
Um momento de glória, que viverá sempre na história dos vitorianos, protagonizado por um homem que, contratado ao Moreirense, esperava-se fosse decisivo na época que iria começar, quiçá, fazendo esquecer Pedro Mendes que fora vendido ao FC Porto.
Porém, aquele momento seria mesmo o único de exaltação do luso-francês, descoberto para as selecções nacionais quando actuava no Nancy e, daí, sendo seduzido pelo Sporting onde viveria grande parte da sua carreira. Foram sete temporadas, antes de ser dispensado e chegar a Moreira de Cónegos, onde, sob o comando de Manuel Machado, pintou a manta com golos (nove), assistências e a certeza que o seu talento permanecia intacto.
Por isso, seria contratado pelo Vitória, para tentar fazer esquecer o menino bonito Pedro Mendes que rumara ao FC Porto, sendo que como referiu ao Grupo Santiago a 05 de Junho de 2003, "o treinador do Vitória, o 'mister' Augusto Inácio, já tinha falado comigo. Para além disso, também o Presidente Pimenta Machado tinha-me contactado para falar sobre a possibilidade de jogar no Vitória na próxima época. Depois de algumas conversas, chegámos a um acordo. Não consegui chegar a um acordo com o Moreirense para continuar lá e, por isso, comecei as negociações com o Vitória."
Logo na estreia viveria um momento que todos os vitorianos ainda guardam na memória: o golo inaugural do remodelado recinto. A esse seguiram-se muitos, mas aquele jamais sairá da memória a quem a ele assistiu.
Porém, nessa mesma estreia viveria o seu canto do cisne. Jogaria, apenas, por doze vezes no campeonato, não conseguindo ganhar preponderância numa equipa que viveu de susto em susto, até conseguir a manutenção na última jornada, sob o comando de Jorge Jesus.
Com o clube em remodelação, atento a alteração de presidente e de treinador, seria dispensado por Manuel Machado...o homem que lhe estendera a mão em Moreira de Cónegos para a sua reabilitação. Todavia, a sua saída não seria pacífica, instaurando em Janeiro de 2005 um processo laboral ao clube, o que o quase Impediria de inscrever, por alguns dias, César Peixoto. Tal levaria a que o jogador referisse que "Não souberam falar comigo. Há coisas que não se dizem a um profissional. Se houvesse diálogo, que nunca houve, talvez pudéssemos ter solucionado a questão de outra maneira e chegado a um acordo. Assim... Não posso é andar atrás de quem me deve dinheiro. Os responsáveis da Direcção do Vitória não foram correctos comigo e o assunto será resolvido em tribunal". Ora, esta atitude levou a um forte repúdio de Vítor Magalhães, já presidente do clube, que comparou o modo de agir de Afonso com o de João Tomás que optou por uma postura dialogante e compreensiva das dificuldades do clube, resolvendo o diferindo de modo pacífico.
Hoje, passados muitos anos daquele momento, Afonso enveredou por outra actividade. Transformou-se em Pai Afonso de Xangô, um Pai de Santo da religião Candomblé e como escreveu nas suas redes sociais a 09 de Setembro de 2019, "Ser espiritualizado é acima, abaixo, dentro e fora, respeitar. O próximo, o todo, o tudo: respeitar. É ter ética, não discriminar, seja por cor, opção sexual ou qualquer outra opção de vida diferente da sua, na política, na religião ou no time do coração." Independentemente de todos os caminhos e polémicas estará sempre na história do Vitória por um golo... aquele primeiro momento de júbilo na renovada casa vitoriana!
