COMO O ESTÁGIO EM MANZANEDA FOI MAIS NOVELA DO QUE PAZ, ACABANDO COM O AFASTAMENTO DE UM NOME HISTÓRICO DO VITÓRIA...

O Vitória naquela temporada de 2001/02 reformulara-se.

Sob o comando de Augusto Inácio, que salvara a equipa do maior dos sobressaltos, leia-se a despromoção, depois de Paulo Autuori e Álvaro Magalhães terem sido incapazes de a colocarem a navegar em águas seguras, urgia remodelar e retocar o plantel.

Deste modo, muitos nomes que viriam a ser importantes naquele presente e no futuro chegaram a Guimarães para vestirem a camisola dos Conquistadores. Falamos de nomes como Palatsi, Bessa, Cléber, Flamarion, Nuno Assis, Romeu que seriam determinantes nessa época e nas subsequentes.

Para reforçar o espírito de união de um conjunto cujas caras não se conheciam, decidiu-se realizar um estágio em Manzaneda, na zona de Ourense, numa montanha destinada a oxigenar os pulmões e colocar a equipa em índices físicos em nível superior.

Os episódios começaram, ainda, em Guimarães. Antes de partir para o seu retiro, o clube tomaria decisão irrevogável que passou por impedir os jornalistas de se alojarem no hotel onde os Conquistadores pernoitariam. Com efeito, "as reservas já estavam feitas, mas os jornalistas vão ser obrigados a mudar-se para a localidade de Puebla de Tribes, a 15 quilómetros do local onde a comitiva vitoriana irá ficar concentrada. Caso contrário, o clube admitia mesmo cancelar o estágio."

Além disso, seria uma viagem cheia de peripécias, desde logo, pela atribulada viagem como o jornal Record narrou. Assim "a comitiva deixou Guimarães às 9.32 horas e só chegou a Manzaneda às 15.03 horas." Com efeito, depois da partida dos jogadores vitorianos ter-se processado com um atraso de 32 minutos, acresceu, ainda, que "à passagem por Ourense houve erro de percurso e na subida de mais de 20 quilómetros rumo à montanha o mau tempo obrigou o autocarro a reduzir significativamente a velocidade." Assim, quando, finalmente, chegou-se ao destino, o Vitória foi recebido por uma verdadeira intempérie aliado ao denominado "frio de rachar", com uma temperatura na ordem dos três graus.

Porém, esse seria o menor dos problemas num estágio cheio de "estórias". Deste modo, realce para o facto de Neno, uma figura emblemática do Vitória, ter sido destituído do cargo que ocupava de director desportivo e concomitantemente afastado do estágio, mas ainda assim, acabaria por integrar a comitiva, atendendo ao facto de Pimenta Machado ter ficado desagradado com a fuga de informação que avançava que José Luís Machado passaria a integrar o departamento de futebol. Como escreveu o periódico consultado, "ao desconforto das revelações, o clube reagiu com uma substituição abrupta. A comitiva riu-se..."

Porém, os jogadores escalados para participarem no estágio não iriam todos. Faltaria o defesa central Auri que se atrasou dois dias "e, ao que consta, deveu-se a um problema de voo." Como consequência, viu ser-lhe instaurado um procedimento disciplinar e como, primeira medida, ficou em Guimarães a treinar sozinho.

Chegada ao local, onde pensava-se que teria paz, os vitorianos deparar-se-iam com Rego... aquele que fora a grande esperança vitoriana dois anos antes, entraria em rota de colisão com Pimenta Machado, para acabar por não ver o seu contrato renovado no final da época de 2000/01. Assim, ainda com contrato com os Conquistadores, resolveu fazer a pré-temporada, a expensas próprias... por azar dos azares, onde estava a equipa que fora sua até há poucas semanas. Como escreveu o Mais Futebol de 08 de Julho de 2001, "Por suprema ironia, o jogador, a quem a Direcção do Guimarães instaurou um processo disciplinar, também se encontra em Manzaneda, a preparar a próxima temporada, perto do local onde a comitiva vitoriana está hospedada desde quinta-feira." Por isso, o desconforto e os encontros foram frequentes, sendo confirmados pelo jornal Record de 20 de Julho nos seguintes termos: "Rego deixou amigos no clube e alguns não tiveram problemas em visitá-lo no quarto, ainda que com discrição: jogadores, treinadores, dirigentes e elementos do departamento médico conversaram com ele nos tempos livres."

Mais do que isso, "um atleta, queixando-se de dores nas costas, ter sido observado pelo fisioterapeuta de Rego. O departamento médico do Vitória sentiu o seu orgulho ferido e pediu explicações. O atrito motivou uma dura troca de acusações num espaço público. António João foi acusado de estar a “procurar trabalho” no Vitória, respondendo com o argumento de que não gosta de entrar nos clubes pela “via política”. Com a casa a arder, sobraria para Fernando Von Doellinger, massagista do clube há muitos anos, com quem "Augusto Inácio conversou com o massagista no último dia – minutos antes do almoço – do estágio realizado em Manzaneda, anunciando-lhe que seria afastado da comitiva."

O estágio que começara mal, acabava, ainda, pior...

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