Estávamos no início da temporada de 1999/2000.
O Vitória, orientado por Quinito, vivia um ano de remodelação que seria alicerçada em jovens pérolas formadas na, então, Unidade, como Fernando Meira, Pedro Mendes, Rego ou Lima. A estes acresciam não menos jovens esperanças como Lixa ou Jaison, que faziam Quinito andar entusiasmado com os seus "meninos" e com aquilo que se poderia esperar deles no futuro.
Para dotar a equipa de uma qualidade superlativa, principalmente na frente de ataque, Pimenta tentava apostar no mercado sul-americano e resolvera colocar todas as fichas num nome: o argentino Sérgio Zárate.
Tratava-se de um avançado trota-mundos argentino com 31 anos, já houvera sido internacional pela albiceleste oito anos antes num particular frente à Austrália e já tinha actuado, depois de sair do Vélez Sarsfield do seu país natal, na Alemanha (Nuremberga e Hamburgo SV), na Itália (Ancona) e no México (Necaxa e América).
Porém, tudo acabaria com um banho de água gelada. Na verdade, segundo o jornal Record, "... Na versão de Pimenta Machado nada disto tem fundamento. Nas declarações prestadas à imprensa local, o mesmo dirigente desmentiu categoricamente a aquisição de Zárate, acusando, uma vez mais, tratar-se de "manobras de desestabilização para prejudicar o plantel".
Tal notícia, porém, era mantida pelos jornalistas do periódico desportivo lisboeta que garantiam que tal informação baseava-se "numa informação puramente fidedigna e que, até prova em contrário, continua a merecer o maior crédito. Aliás, a mesma fonte, por sinal directamente ligada ao aludido negócio, reafirma a existência de contactos no sentido de o jogador representar o V. Guimarães." Todavia, atendendo ao conhecimento da informação, o negócio ruiria mesmo. Zárate nunca seria jogador do Vitória, regressando ao clube que o formara, o Vélez Sarsifield.
Algo semelhante, já acontecera no ano anterior. Pimenta procurava desesperadamente um avançado. Chegara, mesmo, a prometer Tuta, que jogava nos italianos do Veneza, numa célebre assembleia-geral realizada no estádio com os associados sentados na, então, bancada Central, hoje, Poente. Não seria este o escolhido, tendo os responsáveis vitorianos apostado todas as fichas num jovem avançado brasileiro que ia despontando no Fluminense: Roni, que era uma das estrelas do escrete sub-20 ao lado de nomes como Athirson ou Adailton e que se desejava que chegasse à Cidade Berço a título de empréstimo.
Contudo, o talentoso avançado que marcou 171 golos na sua carreira, nunca haveria de ser jogador dos Conquistadores. A razão, segundo o jornal, era simples. "Pimenta Machado desistiu da aquisição a título de empréstimo de Roni, avançado do Fluminense, pelo simples facto de ter sido Record a noticiar a transferência." Como houvera confirmado anos antes com a demissão de René Simões e que o levara a proferir a frase que o há-de perseguir para além do fim da sua existência e que é "o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira", mais uma vez resolvera trocar as voltas à imprensa... e virar-se para outro ponta de lança que, in casu, seria Evando.
Pimenta confirmava, novamente, que adorava trocar as voltas à imprensa...
