Quem nunca…
Quem nunca abraçou um projecto cheio de ilusão, de vontade de afirmação pessoal, naquele passo que iria mudar-lhe a vida. E quantas vezes, tudo se esvai, a ilusão transforma-se em pesadelo e queremos voltar ao nosso “mundinho” onde outrora fomos felizes!
E, nessa ânsia de voltarmos a mostrar o nosso valor, tornamo-nos sôfregos, quase em conflito connosco, pontapeando todas as pedras que nos colocam pelo caminho.
Esta alegoria de vida poderia ser a de Chucho Ramirez, o avançado venezuelano em quem o Vitória no início da temporada depositou tantas esperanças.
Com dificuldades de afirmação, sem o seu leit-motiv no futebol, o golo, sem surgir, pareceu entrar numa guerra pessoal que tardava em chegar a armistício. Pior do que isso, mesmo durante o período de tréguas vivido com os golos em Astana e ao Gil Vicente o seu mundo desabou: uma lesão afastou-os dos relvados.
Demoraria a recompor-se. A voltar a jogar. Mesmo quando o fez, a sofreguidão pareceu tomar conta dele. Contudo, teria direito a um último tiro, quando Luís Freire decidiu apostar nele no passado Domingo. Não marcou golos, mas fez o suficiente para hoje voltar a merecer ser aposta.
Na Choupana, onde no ano passado foi tão feliz, numa exibição mais suada do que inspirada, regressou aos golos… e, provavelmente, sendo autor de um dos mais importantes da época.
Finalmente em paz, ajoelhou-se e chorou… a paz interior e a autoconfiança deverão regressar, para voltar a ser feliz.
Na verdade, quem nunca?
