Manuel Pinto, um dos primeiros internacionais portugueses vitorianos corria a década de 60 e Romano Sion, um neerlandês nascido no Suriname, à primeira vista não terão coisa alguma a ligá-los.
À excepção de terem ambos envergado a camisola do Rei fizeram-no com uma diferença de 30 anos (Pinto entre 1962/63 e 1973/74 e Sion entre metade da época de 2000/01 e igual período de 2001/02) e, como demonstramos, durante períodos temporais absolutamente distintos.
Ora, se um marcou uma era para quem o viu jogar, outro por, apenas, 17 vezes, entrou em campo com a camisola dos Conquistadores.
Mas, sendo assim, poderá algo a ligar estes dois homens? À primeira vista nada... mas, ambos, foram, todavia, semelhantes numa missão que poderíamos apodar de (quase) impossível e que teve um dos seus pontos altos contra...o Farense, adversário no decisivo jogo vitoriano do próximo Domingo.
Na verdade, ambos vestiram a pele de heróis nessas partidas. Manuel Pinto, a marcar uma decisiva grande penalidade que garantiu que os Conquistadores, depois de dois apuramentos europeus consecutivos, permitiu que a equipa chegasse com hipóteses de salvação ao último jogo daquele exercício de 1970/71 frente ao FC Porto, onde a equipa, estoicamente, conseguiu garantir o empate e salvar-se. Quanto a Sion foi contratado a meio dessa época de 2000/01, para tornar-se decisivo no esquema táctico do terceiro treinador desse ano, Augusto Inácio, marcando cinco golos, entre os quais o decisivo na derradeira jornada frente ao emblema algarvio.
Atendendo ao que fomos escrevendo, já se terá percebido os foros de dramatizo de ambas as partidas. Assim, se no momento da grande penalidade cobrada por Pinto, contam-nos que os próprios colegas viraram-se de costas para o lance para não observarem o desenlace do mesmo e nas bancadas do, então, Municipal foram muitos os adeptos que taparam os olhos com as mãos, de modo a não terem de lidar com aqueles agónicos momentos que, felizmente, culminaram numa mesclada explosão de sensações: alívio, júbilo e alegria. Quanto ao golo de Sion, chegaria no início da segunda metade, para depois sofrer-se a bom sofrer, com os ouvidos colocados na partida que se disputava entre o Alverca e o Campomaiorense, concorrente directo na fuga ao cadafalso da despromoção. O Vitória salvava-se e ganhava um novo herói...
E, Domingo, estará um dia bom para heróis?
