COMO, FRENTE AO FARENSE, NA NOITE DE GLÓRIA DE REGO, OS MENINOS DE QUINITO FIZERAM ACREDITAR NUMA TEMPORADA EM CHEIO, AINDA QUE O TREINADOR PENSASSE QUE OS ADEPTOS SÓ DEVIAM PAGAR MEIO BILHETE...

Aquela época de 1999/2000 prometia ser o início de um processo de renovação no Vitória, capaz de iniciar um ciclo duradouro de êxitos.

Com efeito, depois de 4 temporadas consecutivas a conseguirem o apuramento europeu, os Conquistadores haviam falhado o quinto apuramento consecutivo, após serem derrotados em Alverca. De imediato, Pimenta Machado prometeu uma revolução na equipa com as partidas de nomes como Vítor Paneira, Gilmar ou Arley para dar lugar a jovens esperanças como Lixa, Fernando Meira, Pedro Mendes ou Rego. A aposta no comando técnico dessas pérolas continuaria a cargo de Quinito que, depois de ter assumido a equipa a meio da temporada anterior, continuar com ela a seu cargo, num projecto que, segundo o mesmo, o entusiasmava.

O início desse campeonato seria em Setúbal, onde apesar do recital de futebol com que os Conquistadores presentearam a quem ele assistiu, não iriam para além do empate a um, graças ao tento de Edmilson. Seguia-se o Farense, no primeiro jogo em casa desse exercício, em que os vitorianos pretendiam dar seguimento aos bons indícios deixados na jornada anterior.

Assim, numa Sexta-feira de Verão, de fim de Agosto de 1999, a alinhar com Pedro Espinha; Evaldo, Fernando Meira, Alexandre, Márcio Theodoro; Paulo Gomes Rego, Fredrik Soderstrom, Pedro Mendes; Edmilson e Jairson, o Vitória não daria qualquer hipótese aos algarvios. A comprovar essa realidade, o sugestivo naco de prosa extraído do jornal Notícias de Guimarães de 03 de Setembro desse ano e que rezava da seguinte forma: "Quem se mete com miúdos... amanhece molhado! Assim diz o provérbio e foi, precisamente, o que sucedeu ao Farense... " Mais do que isso, "certamente pensavam que os bebés iriam ser embalados no Berço, afinal foram os homens do Algarve que acabaram por ser embalados...no Berço e pelos bebés."

Bebés esses que abririam o activo graças ao inevitável Edmilson que reforçou "que numa equipa maioritariamente constituída por jovens, a experiência, instinto e talento dos mais velhos (...) é indispensável." O popular Didi, ainda apontaria o terceiro golo vitoriano antes do intervalo.

Porém, o segundo seria de Rego, uma das maiores esperanças dos Conquistadores para esse ano. Natural de Viana do Castelo e proveniente de uma fratria de onze que se dedicavam às coisas do futebol, chegara a Guimarães menino para assumir as rédeas do meio campo das equipas de formação. De boa visão de jogo e de pulmão inesgotável, destacava-se pelo seu bombástico pontapé que lhe permitira no exercício antecedente aquele ser dos melhores marcadores dos escalões secundários ao serviço do Fafe. Aliás, um livre do jovem era sinónimo de uma certidão de óbito...às pretensões do adversário. Seria desse modo que se estrearia a marcar na equipa principal do Rei, beneficiando de algum desleixo do guardião algarvio, Mijanovic, que certamente desconhecia as potencialidades do imberbe vitoriano. Era o seu primeiro golo de Rei ao peito e a esperança de um talento a confirmar-se... contudo, ainda se desconhecia que fruto de lesões, de opções mal tomadas e de, como tantas vezes acontece, esperanças jamais confirmadas, seria a única vez que festejaria um golo na equipa principal do Vitória. Mas, isso serão contas para outro rosário...

No final do desafio, com a sua coloquialidade eficaz, Quinito resumiria de modo honesto mas delicioso o jogo a que se acabara de assistir: "A primeira parte foi salpicada com um ou outro lance bonito e sobretudo com os três golos do Vitória, mas no segundo tempo o jogo foi algo pobrezinho. Eu se fosse espectador, pedia a devolução de metade do preço do bilhete."

Mas, o que importava é que o Vitória andava na crista da onda, fazia sonhar com grandes feitos e nem sequer se pensava na borrasca que iria surgir na segunda metade da época... mas isso serão outros capítulos desta história!

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