Ferreirinha faleceu hoje, dia 07 de Fevereiro de 2025, aos 89 anos.
Falamos de um homem do futebol que terá deixado, de modo indelével, na histórica carreira da Riopele na Primeira Divisão enquanto treinador, mas que durante duas temporadas representou o Vitória como jogador.
Tendo chegado à Cidade-Berço no início do exercício de 1960/61 proveniente do FC Porto, não seria pedra preponderante no onze gizado pelo treinador Artur Quaresma, jogando, apenas, em 11 partidas, mas vivendo uma inesquecível no Estádio das Antas, frente ao FC Porto.
Estávamos às portas do Natal de 1960. O Vitória chegava aquela décima segunda jornada no sexto posto, devendo defrontar uns Dragões um pouco mais acima, na quarta posição. A alinhar com Silva; Caiçara, Daniel; Trenque, Silveira, Virgílio; Bártolo, Ferreirinha, Edmur, Romeu e Azevedo, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães do dia de Natal de 1960, "...foram poucos os adeptos vimaranenses." Apesar disso, "o Vitória (...) foi, durante todo o jogo, a melhor equipa no terreno, a mais intencional, a que melhores lances urdia, a que merecia, enfim, sair vencedora..."
Todavia, como tantas vezes sucede, a justiça não casou com a realidade, empatando os Conquistadores a dois, graças aos tentos de Bártolo e de Romeu. Porém, na partida, destacar-se-ia Ferreirinha, que segundo a mesma publicação "foi a grande figura do jogo. Assim se joga futebol, assim deve jogar um interior que tem a função de orientar o jogo de ataque da sua equipa. O pequeno-grande jogador que o Porto não quis, parece ter feito questão de não deixar de demonstrar que errou quem não o quis conservar na equipa das Antas."
Porém, se a sua exibição foi belíssima durante os noventa minutos da contenda, também ficaria marcada por um inusitado acontecimento no final desta que levou o jornal consultado a escrever que houvera sido "um empate que podia ser vitória dos vimaranenses e um final à moda do Porto como as tripas..." Tal constatação devera-se ao facto do jogador, enquanto os jogadores se saudavam, Ferreirinha ter-se visto na contingência de fugir para os balneários, de modo a escapar a uma tentativa de agressão do defesa brasileiro Dicão.
O inesperado acontecimento devera-se a um episódio ocorrido durante o jogo quando "Ferreirinha, a poucos minutos do términos do encontro, desfeiteara o brasileiro com umas tantas fintas e levara este, em represália, a uma tentativa de agressão, a que, arguto, escapou, mas que foi assinalada pelo árbitro." Irritado, o jogador portista atiraria a bola para fora do recinto de jogo, prometendo vingança sobre o jogador vitoriano, ao gritar-lhe "- No final, ajustaremos contas!..." E quis concretizar a promessa, levando a que o jogador vitoriano "...ziguezagueando pelo campo...", como fazia entre os defesas contrários, só parasse na área de segurança dos balneários vitorianos.
O jogador, ainda, actuaria na temporada subsequente de Rei ao peito, apontando 5 golos em 29 partidas. Partiria rumo ao Leixões, mas ficaria sempre ligado à história vitoriana...Que descanse em paz!