Aquele ano de 1997 prometia ser escaldante.
Com eleições autárquicas no horizonte, a Comissão Política Concelhia do PSD vimaranense, liderada por Luís Cirilo, queria afrontar o socialista e presidente da câmara, António Magalhães, de forma decisiva. Por isso, a aposta para liderar a lista à autarquia passava por Pimenta Machado, presidente do Vitória e, provavelmente, a viver uma das suas fases mais áureas na liderança dos Conquistadores.
Porém, a verdade é que das instâncias nacionais viria um indesejado veto ao avanço da candidatura de Pimenta, ainda que como independente, e mesmo que o presidente da Comissão Política Distrital, Fernando Reis, garantisse que a resposta dos órgãos nacionais "...só pode ser uma: o apoio incondicional a António Pimenta Machado."
Porém, mesmo dentro dos políticos sociais democratas vimaranenses havia resistência à ideia. Assim, Fernando Alberto Ribeiro da Silva, figura de proa do panorama político da cidade e opositor à ideia de Pimenta avançar, segundo o Povo de Guimarães de 03 de Janeiro de 1997, "...terá exercido todo o seu poder de influência para que o nome do dirigente do Vitória não passasse no crivo nacional do partido."
Com o partido partido, passe a brincadeira com as palavras, Luís Cirilo, como presidente da Comissão Política Concelhia ainda afirmava a união da secção do partido e garantia que "...o nosso adversário é o PS", ainda que "...se estas atitudes divisionistas continuarem, vamos exigir a quem divide que assuma ou que alguém da direcção nacional tome uma posição clara sobre isto."
Assim com o órgão partidário enterrado em dúvidas, com a comissão política concelhia a encontrar focos de resistência quer a nível nacional mas, também, local, Pimenta daria o primeiro passo para o que, ainda, pensava ser os primeiros passos para a sua campanha eleitoral autárquica. Deste modo, deu uma entrevista à Rádio Fundação, onde apesar de assumir que se iria recandidatar à presidência do Vitória, também confessava que "aproveitei-me dos convites para engrandecer o Vitória."
E que convites eram esses? Segundo ele, "... nas fases pré-eleitorais, os mais variados partidos contactaram e me convidaram para ser candidato.” Assim, "... tive um primeiro convite do Senhor Joaquim Cosme para ser candidato pelo CDS; nesse mesmo ano foi convidado pelo actual presidente da Câmara, pelo Albano Fernandes e pelo Engº Hélder Rocha fui convidado para encabeçar a lista do PS; posteriormente fui convidado pelo ex-governador civil de Braga para número dois da lista da Câmara para apoiar o António Xavier; e mais tarde fui convidado pelo PP, tendo inclusivamente o Dr. Manuel Monteiro ido a minha casa." Apesar de nenhum destes convites ter tido concretizado, confessava "... que é verdade que me aproveitei disto para o Vitória se engrandecer. Era o meu papel como presidente do Vitória, era evidente que tinha que me aproveitar."
Porém, naqueles dias "... o cenário é completamente diferente." Com efeito, segundo ele, naquela altura "O Vitória tem quase tudo...", pelo que a questão do aproveitamento já não se colocava, pelo que a questão poderia ser equacionada. Não obstante isso, quando tudo parecia encaminhar-se, o seu nome seria vetado, levando à demissão da Comissão Política concelhia do partido e a uma pesada derrota nas urnas... mas isso, já será outra história