COMO JOSÉ VALLE IMPUNHA AS SUAS NORMAS, COM SILVEIRA, O CAPITÃO, A TRAVÁ-LO, MAS MESMO ASSIM A CHEGAREM AO SUCESSO...

José Valle era argentino. Primeiro houvera sido jogador de futebol, tendo atingido o seu apogeu quando na temporada de 1947/48 a Roma o contratou aos argentinos do Temperley. Na Cidade Eterna passaria três temporadas, rumando à Catalunha a Lleida, para entrar em Portugal pela porta do Lusitano de Évora em 1951/52. Seria em Portugal que acabaria a sua carreira de jogador ao serviço do FC Porto em 1955/56, para, de imediato, encetar a de treinador.

Seria nessa qualidade que chegaria ao Vitória no exercício de 1962/63, após um conturbado ano em que os jogadores se revoltaram contra o técnico Artur Quaresma e que veria Rola, como jogador-treinador, acabar a época no banco...salvando a equipa da despromoção numa agónica partida frente ao FC Porto em que o golo de Augusto Silva valeu ouro.

Augusto Silva, mas também Pedras, haveriam de partir para o Benfica, o que faria com que à equipa Conquistadora chegassem vários jogadores provenientes desse negócio e que seriam, uns mais do que outros, importantes no futuro do clube. Falamos do guarda-redes Zeca Santos, do defesa Manuel Pinto, do médio Peres e dos avançados Mendes, Teodoro e Testas. Com um conjunto completamente remodelado, ao qual se juntou o avançado brasileiro Lua, o treinador iria ter um papel difícil para conseguir o êxito desejado.

Obtê-lo-ia, através do pulso de ferro, seguindo a escola dos "sargentões sul-americanos." Bastará recorrer às palavras do mítico Daniel ao jornal do clube, para percebermos isso quando referiu que "o homem que mais me marcou em toda a minha vida de atleta foi o argentino, Vale, pela sua maneira de ser, pelo seu carácter, pelo seu amor à profissão. Era uma pessoa muito exigente, gostava muito da sua profissão, exaltava-se muito, mas pessoalmente era muito humano."

A comprovar essas duas faces da moeda, o facto de, muitas vezes, ter de ceder ao capitão Silveira. O central que era capitão do Vitória naqueles primeiros anos da década de 60 tinha um carisma que o fazia ter uma voz quase tão forte como o treinador. Respeitado e admirado, muitas vezes se opôs a Vallle quando este pretendia exercer a sua autoridade. E fazia-o, diga-se, de modo questionável, querendo dar o exemplo através dos jogadores mais fracos, que ganhavam menos. Assim, chegou a aplicar multas de 100$00 e 150$00 aos que auferiam, apenas, 400$00 naquela altura. Inconformado com a situação, o capitão, não raras vezes, recorreu ao tesoureiro do clube para as multas serem anuladas. Um sinal do grande capitão que era mas que haveria de coexistir com o treinador argentino rumo a dois momentos marcantes: a primeira vez que o Vitória disputou uma final da Taça no Jamor em 1962/63 e o quarto posto na temporada subsequente...

Nota:O treinador José Valle é o segundo da esquerda para a direita na primeira fotografia.

Silveira é o segundo da direita para a esquerda, ao lado de Daniel, na segunda fotografia.



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