Nas Histórias temos recordado os momentos passados do Vitória, com inegável e indesmentível orgulho.
São 103 anos de momentos marcantes, uns mais felizes, outros nem tanto, mas isso fará parte da vida.
O presente, mais polémico, também tem merecido as nossas farpas, sempre com a certeza que penso pela minha cabeça e que, mal ou bem, o que aqui é escrito é, apenas, fruto da minha forma de ver o Vitória.
Porém, com os acontecimentos de hoje, teremos de ver o Vitória no futuro. E, quando se fala em futuro, deixemo-nos de pretensos desprendimentos e projectos de vidas curtas de um ou dois mandatos.
Esse será o primeiro erro! O Vitória precisa de estabilidade e de trabalho de fundo. Precisa que alguém, desde logo, redija um caderno de encargos e se comprometa a procurar realizar essas missões a 7/10 anos. Ninguém acredite que há soluções miraculosas a curto prazo, nem o futuro presidente do clube vai resolver o problema num estalar de dedos.
Deste modo, promessas de investidores serão conversa para "ganhar eleições". E pouco mais! Como se vai colocar um novo parceiro, sabendo-se que, actualmente, o Vitória está estrangulado por uma parceria com a VSports que detém 29% das acções mas que nada pode fazer com eles? Mas, mais do que isso... sobrando 17% de acções, para o clube continuar a ser maioritário na SAD, valerá essa percentagem mais do que o remanescente da sociedade desportiva? E terá um sócio minoritário mais poder do que um com maior capital investido? E, assim sendo, como funcionará o Conselho de Administração, sendo que o Presidente, designado pelo clube, deverá manter SEMPRE o direito de veto!
Por isso, não acreditamos neste momento que seja essa a discussão a ter-se no Vitória. Nem promessas miríficas de uma resolução mágica. Com um passivo a curto prazo a estrangular, de modo inapelável, a vida do clube, com a necessidade de negociar com credores para evitar a litigiosidade que decorre dos respectivos incumprimentos, importará, acima de tudo, saber respirar. Respirar sem hipotecar a possibilidade de, futuramente, decidir o futuro do Vitória, colocando nas mãos de terceiros 103 anos de história.
Assim, neste momento, tenhamos presente a velha máxima de quanto melhor pior. Que, no desespero, os cânticos de sereia parecerão irresistivelmente sedutores. Capazes de nos inebriarem. Porém, o futuro tornar-se-á ainda pior...
Assim, neste momento, será urgente os sócios do Vitória terem conhecimento de vários dossiers.
Desde logo, em que estado se encontra a propalada relação com a VSports. Tal deverá começar por saber-se se é possível, atendendo às contas do clube, o desbloquear da parceria e se com um novo presidente existe esse interesse. Caso não exista, em que condições a VSports poderá abandonar a sua posição e que quantia é necessária para tal acontecer. Nesta condição, em que condições o Vitória poderá liquidar as suas obrigações.
Depois, conhecer as contas a fundo. Quem for candidato tem de as conhecer de trás para a frente e da frente para trás. Saber o que faz parte do passivo a curto prazo. Saber o que é possível reestruturar, transformando o curto em médio e longo prazo para ganhar um balão de oxigénio. Dar uso concreto ao chavão de reduzir gorduras, tornando a estrutura mais leve e funcional, por mais desumana que a medida possa parecer. Utilizando um chavão, perder a vaidade de querer parecer um clube grande e transformar-se, ainda mais, num grande clube.
Depois disso, agregar. Ter as forças vivas da cidade com o Vitória, sentindo-se na obrigação de jamais dizerem-lhe que não. Ter os empresários juntos de si, sentindo o clube de todos e para todos. Preferir, em contrapartida, os patrocínios locais, procurando-os. Fazendo o que tentamos fazer aqui, aproximando o clube de todos, fazendo-o sentir um pouco mais de cada um.
Além disso, e onde Cardoso terá errado mais, saber comunicar. Explicar aos sócios os tempos que vivemos. Não afastar mas estar presente. Ser um entre os demais, ao invés de fazer com que os sócios sintam que está ali alguém afastado, desinteressado das inquetações populares e até altivo. O Vitória fez-se de todos, com todos e precisa de todos...
E, assim, as vitórias desportivas estarão mais próximas, mas, acima de tudo, o futuro que tanto desejamos que seja exequível...
