Era das grandes apostas para aquela temporada de 1994/95.
Extremo veloz e com engoda para a baliza, Ricardo Lopes era uma contratação proveniente do Estrela da Amadora que era vista como uma mais valia no Vitória.
Assim, nas primeiras quatro jornadas dessa temporada seria utilizado. pelo treinador Quinito... para, quase de imediato, parar. Com efeito, uma lesão contraída na derrota frente ao SC Braga, seguida de um problema na tiróide, que como escreveu o Jornal Notícias de Guimarães de 24 de Março de 1995, "o fez perder cerca de 10 quilos, o que num jogador, com as características físicas de Ricardo revela-se muito importante e impressionante."
Assim, estaria cinco meses de fora, em recuperação, regressando só à 21ª jornada, cinco meses depois, curiosamente, contra o adversário que realizara a última partida de Rei ao peito, para disputar quase meia hora. Sem condição física, pararia na semana seguinte, jogaria 13 minutos contra o União da Madeira, não sendo novamente opção para a partida subsequente, contra o Beira-Mar.
Até que chegamos aquela partida contra a União de Leiria, disputada a 19 de Março de 1995. Surpreendentemente, Quinito apostaria em Ricardo para ser titular. Com o Vitória na crista da onda, como escreveu o jornal já citado, assistiu-se a "um espectáculo de golos", sendo que nos três golos, o perfume da classe dos seus autores, que é difícil escolher o mais bonito, porque todos foram lindos, mas diferentes"!
Assim foram três, apontados por Pedro Barbosa, Zahovic... e Ricardo Lopes que, depois de estar envolvido nos dois primeiros tentos, viveu um momento inesquecível que merecerá ser descrito com as palavras da altura: "Pedro Barbosa cruzou ao seu melhor estilo, Gilmar foi lá acima discutir a bola com Álvaro e esta sobrou para Ricardo que de costas para a baliza, aplicou um golo de calcanhar e fez um golo que colocou o público, nas bancadas, ao rubro!"
Um momento épico, compensador de todo o sofrimento que houvera passado e que seria merecedor que fosse imediatamente substituído por Quinito para ser-lhe tributada uma calorosa ovação.
Seria, por isso, um dos temas da conferência de imprensa após o jogo, onde o treinador definiu aquele momento como especial, por ter sido um golo "à Madjer", em alusão ao calcanhar do antigo jogador portista na final da Taça dos Campeões Europeus em Viena.
A partir daí, Ricardo ganharia nova e feliz vida nos Conquistadores... ficando intimamente ligado à eliminação do Parma, mas isso já será outra história!
