Nem todos os jogadores da história vitoriana terão merecido a honra de serem imortalizados numa fotografia.
Uma fotografia tirada há muitos anos e que chegou aos dias de hoje...pelo modo como foi tirada, pela beleza nela inserta, por quase nos fazer acreditar que com a camisola do Vitória, e por ele, até somos capazes de voar!
O seu protagonista, contudo, não terá merecido tanto destaque como a imagem, apesar de ser uma das figuras determinantes na afirmação do Vitória no principal escalão do futebol português na década de 40 do século passado.
Era João, conhecido por João Bom e que foi merecedor da sua festa de despedida no final de Março de 1948, na antecâmara do Domingo de Páscoa desse ano. Tido como jogador e homem exemplar, o momento foi descrito pelo jornal Notícias de Guimarães de 28 de Março desse ano, como a "Despedida de um Desportista."
Um desportista que era, acima de tudo um vitoriano até aos ossos, merecendo a descrição de "ninguém mais do que este rapaz - valente como as armas e esforçado sempre até ao sacrifício - viveu as lutas em que entrou. Os triunfos do seu grupo comoviam-no e as derrotas, que ele até ao último minuto tentava evitar com fé erguida, causavam-lhe visível amargura. E às vezes não podia reprimir as lágrimas."
Um vitoriano de mão cheia, portanto, que foi homenageado com um jogo entre a sua equipa de sempre e o Famalicão que mereceu casa cheia na Amorosa para agradecer o labor do atleta. Na verdade, "muitas foras as pessoas (...) que estiveram no campo do Vitória a testemunhar a João Bom o apreço e a estima que sempre soube cativar." Mais do que isso, como as publicações da altura atestavam "nenhuma houve, crêmo-lo bem, que algo se não comovesse quando o valoroso atleta, ladeado por Curado, capitão do grupo de honra do Vitória e pelo capitão do F. C.Famalicão, deu ao campo, no meio de frenéticos aplausos , a volta da despedida de jogador de futebol."
O jogo, esse, seria uma festa como o homenageado merecia. Com os Conquistadores a triunfarem por nove a zero, João Bom, figura marcante em muitos títulos distritais e na histórica subida à primeira divisão, poderia sorrir... ainda não sabia, contudo, que hoje a sua imagem em voo, um instante que para sempre ficou suspenso no tempo, faz parte do património da eternidade vitoriana...
