COMO MESMO SEM DIRECÇÃO, OS VITORIANOS NÃO DEIXARAM QUE O VITÓRIA PERDESSE O RUMO...

Em texto anterior, ficou exposta a dificuldade do Vitória em encontrar uma direcção estável naquele final de temporada de 1961/62.

Perante esse vazio, Hélder Rocha assumiu a liderança do clube, coadjuvado por elementos da direção de Casimiro Coelho Lima, entretanto demissionário. Ainda assim, tratava-se de uma solução provisória. O próprio Rocha dava sinais de desgaste, algo visível num texto publicado no Notícias de Guimarães e já aqui citado. Tornava-se evidente a necessidade de definir um rumo sólido e duradouro.

Sem que surgisse uma alternativa, foi convocada uma Assembleia-Geral com o objectivo de resolver o impasse. Como escreveu o Notícias de Guimarães de 29 de Julho de 1962, “a sessão iniciou-se com um esclarecimento dado pela comissão que tomou a seu cargo a tentativa de reunir um elenco directivo”.

Durante a reunião, o presidente da Assembleia-Geral, José Maria de Castro Ferreira, desafiou os sócios a pronunciarem-se sobre a possibilidade de os nomes apresentados formarem uma direcção de facto e de direito.

Várias intervenções foram nesse sentido, defendendo que os nomes já indicados avançassem, completando-se posteriormente os lugares em falta.

Mas a realidade travou essa hipótese. Hélder Rocha esclareceu que existiam “dificuldades intransponíveis”, sobretudo na nomeação de três vice-presidentes, um entrave suficiente para inviabilizar a formação de uma direcção.

Sem alternativa, o clube avançou com uma Comissão Administrativa.

A proposta foi aprovada por larga maioria e, a partir desse momento, Hélder Rocha assumiu a presidência da Comissão. Nessa qualidade, responderia aos sócios sobre vários temas sensíveis. Entre eles, destacou-se a transferência de Pedras para o Benfica e o futuro de Augusto Silva, garantindo que este “só seria transferido em condições muito vantajosas para o Vitória”.

Mais do que respostas imediatas, Rocha deixou também uma ideia de gestão a pensar no futuro: parte da verba de uma eventual transferência deste seria depositada, ficando apenas disponível no início da época 1963/64.

Era um sinal claro.

Depois da tempestade, o Vitória começava, finalmente, a olhar em frente.

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