Tinha sido uma das grandes estrelas da histórica promoção do Casa Pia à Liga principal, mais de 80 anos depois.
Jovem, eléctrico, com golos nas botas, houvera empreendido um percurso ascendente que fizera muitas equipas olharem para ele.
Acabaria por ser o Vitória a convencê-lo a dar o passo em frente, sendo logo anunciado como jogador vitoriano no final da temporada de 2021/22 para as três épocas subsequentes.
Uma transferência, supostamente, a custo zero, ainda que os Gansos alegassem, de imediato, em comunicado, que "O Casa Pia rejeita terminantemente esta interpretação (e sublinha que se trata apenas duma versão, fomentada pela representação do Jogador, numa notável mescla de contorcionismo e amnésia selectiva), mantendo-se absolutamente convicto que acordou com o Jogador e seus representantes, de forma absolutamente legal, a prorrogação do vínculo laboral até 30 de Junho de 2023.”
Estava lançada a dúvida, com o emblema lisboeta a ameaçar levar o imbróglio às instâncias legais, em especial ao Tribunal Arbitral do Desporto e à UEFA, potenciando o acordo entre os dois emblemas. Assim, a "transferência a custo zero" levaria a um acordo na ordem de 190 mil euros por 50% dos direitos económicos do jogador, podendo o Vitória adquirir, posteriormente, mais 20% ao emblema lisboeta por uma soma na ordem dos 100 mil euros.
O jogador tornar-se-ia num caso de amor à primeira vista com os vitorianos. Terá sido, provavelmente, um dos últimos atletas que se tornaram verdadeiramente ídolos, pelos seus golos, abnegação e simbiose com os vitorianos. Além disso, tornou-se no último jogador vitoriano a envergar as camisolas das Quinas até à presente data.
Por isso, haveria de abandonar os Conquistadores no final da época de 2023/24. Depois de muita cobiça, de se dizer que o Vitória não prescindia de um valor na ordem dos 20 milhões de euros, acabaria pro sair para Inglaterra, para o Nottingham Forest, por 7 milhões de euros aos quais deveriam acrescer mais 5 milhões em variáveis que passavam por três deles quando atingisse 15 jogos e os outros dois se alcançasse os 10 golos.
Nesse momento, uma dúvida ressaltou nos vitorianos. Teriam os Conquistadores, apenas, 50% dos direitos do jogador ou teriam conseguido abrir os cordões à bolsa e comprado, pelo menos, 20%? Tal dúvida sobre quanto o Vitória teria de pagar aos canadianos era reforçado pela notícia do jornal A Bola de 29 de Junho de 2024, que escrevia que "Por isso mesmo, o dirigente máximo dos vimaranenses vai procurando chegar a um entendimento com os casapianos, de forma a que o encaixe seja o maior possível, não abdicando de tanto dinheiro para o clube anterior de Jota Silva. A BOLA sabe, todavia, que a situação não está fácil, pois o Casa Pia, defendendo os seus interesses, não está muito aberto às tais negociações ou a reduzir o valor dos tais 30 por cento, que significam alguns milhões em caixa."
Tal imbróglio seria esclarecido pelo presidente do clube ao afirmar em entrevista ao Desportivo de Guimarães que "Inicialmente eram 50 por cento e nós tínhamos a opção de comprar mais 20 por cento. Acabámos por fazer à volta de 25 por cento na altura de fechar o negócio. Não foi fácil convencer o Casa Pia e é óbvio que é uma operação de sucesso. Eles foram sensíveis, porque também é uma excelente operação para o Casa Pia."
E, assim, Jota abandonava o Vitória após 82 desafios disputados e 19 golos marcados... e com a certeza que ficará para sempre na memória dos vitorianos!
