Qual é a pressa?
Não, não iremos citar o novo presidente da República, António José Seguro, quando instado sobre a luta interna no PS que o haveriam de tirar do comando do partido.
Aliás, iremos optar pelo prisma diverso. No Vitória, neste momento, há pressa e muita!
Ainda que tal seja precipitada pela extemporânea e despropositada declaração de António Miguel Cardoso que colocou a cabeça no cepo, após a quarta jornada da Liga Nacional e quando tinha vencido umas eleições com quase 90% de votos, ao prometer demitir-se do seu cargo se não ficasse no quinto posto.
Ora, tal nem sequer passava pela cabeça dos vitorianos e, infelizmente, desde logo temeu-se que tal objectivo fosse inexequível para um conjunto que perdera os senadores, que em Guimarães passaram a ser conhecidos por outro nome.
Deste modo, apesar da histórica conquista da Taça da Liga, a verdade é que o Vitória, até à presente data, não esteve em algum momento em lugares de apuramento europeu. Pelo contrário, infelizmente, está cada vez mais afastado dos mesmos, tornando esse objectivo uma miragem longínqua.
Ora se assim é, e atendendo ao preconizado pelo próprio presidente na recente entrevista ao Zerozero, algo irá acontecer no clube. Assim, seguindo o raciocínio do líder do clube, percebe-se a intenção de na Assembleia-Geral de apresentação do relatórios e contas, tradicionalmente a decorrer em Junho, ser apresentada uma moção de confiança ao seu trabalho. Refira-se que a do ano passado ocorreu a 27 de Junho.
Ora, tal opção será conducente a uma de duas hipóteses possíveis. Assim, caso seja merecedor desta, a vida continuará, o presidente do Vitória estará legitimado para continuar o seu mandato, respirando, provavelmente, de alívio pelo seu dislate verbal ter arrastado o clube para uma instabilidade que, apesar dos resultados, só teve um responsável.
Mas, e se os sócios não derem essa pretendida confiança?
Ora, tal será conducente a um verdadeiro imbróglio que poderá colocar em perigo a próxima época desportiva. Na sua preparação, nas transferências a efectuar, nas vendas a realizar, no orçamento da próxima época.
Atentemos: sendo a Assembleia-Geral a meio de Junho de 2026 e não existindo a desejada legitimação, quase em forma de plebiscito, deverão existir novas eleições. Ora, segundo o artigo 44º dos Estatutos do Vitória, estas deverão ser marcadas com 45 dias de antecedência. Se a dita reunião for a 27 de Junho, com os 45 dias previstos, teremos eleições a meio de Agosto... pouco antes do início do campeonato,. provavelmente!
Tal será um risco enorme para o decorrer da temporada 2026/27. Um risco que a ser cumprida a palavra dada (e não existem razões para duvidar que não sejam) poderá causar mais problemas do que ser solução. Assim, voltando à frase inicial destas linhas, existe pressa em decidir! Com o lugar europeu quase impossível de ser alcançado, com prazos legais estatutários a respeitar e a cumprir, porque não começar-se a pensar agilizar prazos e processos e avançar-se directamente para eleições?
Salvaguardar-se-ia a temporada de 2026/27 e os sócios teriam a oportunidade de manifestar a sua concordância ou não com as directrizes de António Miguel Cardoso, podendo este merecer a sua reprovação ou ter a sua legitimidade, novamente, confirmada...
Tem a palavra a Mesa da Assembleia Geral...a bem do Vitória!
