Era uma direcção a prazo...
Com efeito, desde que Emílio Macedo da Silva vencera as eleições em 2010 contra Manuel Pinto Brasil sentia-se que tal triunfo eleitoral não trouxera a estabilidade necessária.
Na verdade, o passivo, esse monstro sempre presente na actualidade vitoriana ia aumentando, os resultados desportivos teimavam em não ser os desejados e, por isso, a contestação social estava no seu apogeu. Para a história ficará para sempre a manifestação em frente ao Complexo, hoje Academia, em que muitos associados disseram bem alto que a situação do Vitória não poderia permanecer naquele estado.
Emílio terá tentado resolver o problema, percorrendo o mundo em busca de um investidor. Investidor esse, que haveria de lhe falhar, o que agudizou de sobremaneira a situação financeira do Vitória.
O cenário era, pois, aterrador e as pressões chegavam de todos os lados, tendo mesmo corrido pela cidade uma petição para a recolha das 120 assinaturas necessárias para a marcação de uma Assembleia-Geral de destituição do presidente do Vitória, que não seria aceite pelo Conselho de Jurisdição do clube por entender que não reunia as condições formais necessárias para ser levada a cabo.
Mas, os vitorianos não cederam. De imediato, outra recolha de assinatura foi levada a cabo e um procedimento judicial para a convocatória de uma Assembleia-Geral deu entrada no tribunal. Não havia caminho para a direcção presidida pelo homem que trouxera o Vitória de volta à Primeira Liga!
Assim, nos primeiros dias de Fevereiro de 2012, João Cardoso, presidente da Assembleia-Geral, anunciou o que já se antevia: a demissão dos órgãos sociais, decisão tomada, segundo se diz, após uma reunião ocorrida na quinta do presidente da direção.
A ajudar a esta decisão muito contou o arrasador comunicador do Conselho Fiscal, "no qual este órgão dava conta da subida do passivo para 19 milhões de euros, bem como a intenção de continuar em funções." Aliás, nesse dia, João Cardoso seria particularmente cáustico para com este órgão ao dizer que "Importa aqui dar nota de que, com excepção do Conselho Fiscal que entendia que a actual Direcção não deveria renunciar ao mandato, devendo continuar em funções todos os restantes Órgãos..."
Num cenário de inexistência de qualquer solução, com o malogro da criação de um Fundo de Investimento de jogadores do Vitória, não havia outro caminho a seguir. Emílio demitia-se e o Vitória iria a eleições... mas isso será outra história!
