COMO NAQUELE INÍCIO DE ÉPOCA NA PÓVOA, O VITÓRIA DEIXOU ANTEVER O QUE AÍ VINHA...

Aquele ano de 1986/87 no Vitória foi único, inesquecível ao ponto de quem o viveu recitar os seus intervenientes de cor. Uma equipa que mais se assemelhava a uma orquestra sinfónica tal a qualidade dos seus solistas e capaz de se bater com os conjuntos mais cotados do Velho Continente, como a carreira na Taça UEFA desse ano comprovou.

Mas, essa temporada com foros de epopeia começou antes daquela partida em Braga, no derby do Minho, vencida com um golo fenomenal de Adão... e com Paulinho a falhar de modo incrível outro de baliza aberta. Acontece aos melhores e o avançado brasileiro será sempre um dos melhores da nossa história.

Poderemos dizer que a primeira demonstração de grande força desta equipa terá ocorrido no local onde esta fotografia foi tirada: na Póvoa de Varzim, local onde é disputado o Torneio da Póvoa, ainda, hoje uma prova de culto para todos os vitorianos, que enchem as bancadas disponíveis quando os Conquistadores participam na competição.

Assim, a ter de defrontar primeiro o SC Braga e depois o Varzim, como escreveu o jornal do clube, "O Vitória provou na Póvoa que tem uma excelente equipa que pode aspirar ao que quer que seja se não lhe surgirem empecilhos pela frente, daqueles que por soezes e torpes, incomodam os mais fortes."

Assim, no início da prova, com golos de Roldão e de N´Dinga foi batido o eterno rival minhoto, a praticar "um futebol de alto quilate, com a bola a roçar a relva e a andar de pé em pé. Um futebol movimentado, em todo o terreno de jogo que estonteou o antagonista que nunca chegou a ser um verdadeiro perigo."

No jogo seguinte frente ao Varzim, a equipa da casa, só durante dez minutos o desafio seria equilibrado. Depois, o tento inaugural apontado por N'Dinga faria desequilibrar os pratos da balança em favor do conjunto vitoriano. "Embalada pelo golo, a nossa equipa partiu para uma exibição de luxo, com futebol bem delineado, objectivo, todo o terreno...", chegando aos quatro golos sem resposta. Depois do tento do médio zairense, Ademir bisaria para Adão fechar a contagem.

O Vitória vencia o torneio e deixava uma certeza a quem assistira a dois recitas de futebol: "Se a equipa entrar desinibida, consciente do seu valor, estamos certos que sairá vencedora do 1º de Maio..." Assim seria, arrancando-se para uma extraordinária temporada...

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